Muito cruel a professora que resolve cometer suicídio logo
na sala de aula onde lecionava para crianças de 12 anos. Mas é isso que faz a
professora do filme “Monsieur Lazhar”, desencadeando uma onda de
questionamentos sobre perda, dor e culpa entre as crianças.
Encarregado de substituir a professora suicida, Lazhar
Bachir (Mohamed Fellag) é um imigrante argelino exilado no Canadá depois que
sua família é assassinada por terroristas. Lazhar ainda corre o risco de ser
mandado de volta para a Argélia e, como as crianças, também busca superar a sua
perda.
“Monsieur Lazhar” é um filme sério e sentimental. Mohamed Fellag é
ótimo ator, e o diretor franco-canadense Phillippe Falardeau consegue extrair
excelentes interpretações dos atores mirins. O longa concorreu ao Oscar de
Melhor Filme Estrangeiro em 2012.
Juntos, professor e alunos, tentam compreender e aceitar suas
perdas. Mas a transformação, claro, não é imediata. Vai acontecendo aos poucos,
num processo de cura gradual e sofrida, do mesmo modo que o ocorre com a gente quando a morte de alguém próximo nos atropela.
"Monsieur Lazhar" não é sensacional. É um bom filme. E uma cena do menino que se sente culpado pelo suicídio da professora é de emocionar até uma pedra de gelo.





