sexta-feira, 17 de setembro de 2010

As meninas que atendem ao telefone

Garotas do telemarketing: será que elas existem?

De repente, me deu vontade de saber quem elas são. Se são bonitas, onde moram, como fazem para chegar ao Call Center onde trabalham. Estão ali, sentadas o dia todo diante de um monitor, à espera de mais um telefonema mal-educado de alguém puto da vida porque a sua conexão caiu, a TV saiu do ar ou o produto que comprou não funciona como o prometido.

São meninas treinadas para dizer: “Sim, estamos verificando...”. Em alguns casos, a voz é vibrante, atenciosa, simpática. Mas, na maioria das vezes, surge monótona, desinteressada, exausta de tanto repetir gerúndios.

Devem respirar fundo e fazer o sinal da cruz toda vez que atendem ao telefone. Foram orientadas de que não podem “revidar” às barbaridades que ouvem de clientes mais exaltados. E não revidam. Aguardam em silêncio. E, assim que cessam os impropérios, finalizam a ligação com calma e elegância: “Algo mais em que posso ajudá-lo, senhor?”.

Admiro essas meninas. Admiro a paciência que elas têm de passar o dia ouvindo queixumes e xingamentos de pessoas que elas nem conhecem, para quem nunca fizeram mal algum. São meninas que aprenderam a difícil arte da indiferença. Pode gritar, pode insultar, pode espernear. Elas se mantêm impassíveis, robotizadas, insensíveis aos nossos apelos. Sabem que quem está em apuros é quem está do outro lado da linha. Não elas. Elas estão ali apenas cumprindo ordens.

Mas será que lixam as unhas enquanto ouvem as nossas reclamações? Retocam o batom assim que desligam o telefone sem resolver os nossos problemas? Riem de nossa desgraça na hora da pausa para o café? Creio que sim. Creio que somos todos reféns de operadoras de telemarketing cruéis e vaidosas. Meninas treinadas para embromar, peritas em nos tirar do sério, especializadas em nos seduzir com desculpas esfarrapadas.

Quem são elas, ninguém sabe. Pelo menos não conheço nenhuma pessoa que já tenha visto uma operadora de telemarketing ao vivo. Será que elas realmente existem? Ou são apenas robôs programados para nos vencer pelo cansaço? 

Nenhum comentário:

Postar um comentário