domingo, 26 de setembro de 2010

Assassinos de golfinhos

Cena de "The Cove"

Você já assistiu "The Cove" (A Enseada), documentário dirigido por Louie Psihoyos, fotógrafo da "National Geographic"? Se não, faça um favor a você mesmo e assista.

O filme conquistou o Oscar de Melhor Documentário e acompanha a missão de um grupo de ativistas no Japão. Objetivo: filmar uma enseada oculta em Taiji, no sul do país, onde cerca de 23 mil golfinhos são mortos todos os anos. A caçada acontece de setembro a março. Os golfinhos são capturados para virarem atração em parques aquáticos. Aqueles que não são selecionados (a maioria), acabam abatidos em escala industrial. O sangue dos animais feridos com lanças afiadas tinge o mar de vermelho. É assustador!

Pouco importa se "The Cove" serve à militância ecológica, se é filme denúncia, se é parcial em sua estrutura narrativa, se apresenta os ativistas como heróis e os japoneses como vilões, se tem falhas no roteiro, se apela para o melodrama e para a provocação. "The Cove" deveria ser visto por todos, obrigatoriamente. Deveria estar no currículo escolar. Deveria substituir livros didáticos ultrapassados. É filme para servir de referência às gerações futuras. Chega de barbárie! Chega de acreditar que somos seres superiores! Chega de pensar que a vida humana vale mais que a vida dos animais!

Um crítico da "Folha" escreveu que falta ao filme uma tentativa de maior compreensão da cultura japonesa. Bobagem. Não há o que compreender. Eles assassinam os golfinhos por dinheiro. Simples assim. 

Cada animal chega a ser vendido por US$ 150 mil. Levados para parques aquáticos ao redor do mundo, passam a viver em cativeiro, num espaço milhares de vezes menor do que está acostumado em seu habitat, onde nadam mais de 60 quilômetros diariamente. Isso é tortura, não é entretenimento. Por isso, toda vez que ver golfinhos saltando na piscina de prisões como o SeaWorld, lembre-se do show de horrores que está por trás desse "espetáculo".

Em termos cinematográficos, "The Cove" pode até não surpreender. Mas cumpre a sua missão ao denunciar o que muitos insistem em não enxergar. 

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