quinta-feira, 30 de setembro de 2010

AUTORES

[Especial Telenovela - parte 5]

Aguinaldo Silva
O pernambucano de Carpina é jornalista de formação. Trabalhou no jornal “O Globo” e foi editor do alternativo “O Lampião”. Na TV, estreou como um dos roteiristas da série “Plantão de Polícia” (1979). Seu estilo é marcado por tramas regionais, com tipos marcantes e realismo fantástico. Fez minisséries (“Bandidos da Falange”, “Riacho Doce”, “Tenda dos Milagres”) e telenovelas de sucesso, como “Tieta”, “Suave Veneno”, “Pedra Sobre Pedra” e “Senhora do Destino”. Colaborou com Dias Gomes em “Roque Santeiro” e com Gilberto Braga em “Vale Tudo” – dois momentos marcantes da teledramaturgia brasileira.

Benedito Ruy Barbosa
Jornalista e publicitário, o autor nascido em Gália, no interior de São Paulo, é especialista em novelas que retratam os costumes interioranos e a imigração de estrangeiros no Brasil. Seu primeiro grande sucesso foi “Os Imigrantes”, apresentada em 1981 pela TV Bandeirantes. Benedito também é responsável pela maior façanha da extinta TV Manchete. A novela “Pantanal”, de sua autoria, superou a audiência da todo-poderosa Rede Globo, em feito inédito na história da teledramaturgia nacional. Na emissora carioca, o autor inicialmente foi escalado para criar tramas para novelas das 18h. Depois, com prestígio de sobra, ganhou o horário nobre e escreveu “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra” e “Esperança”, além da minissérie “Mad Maria” (2005).

Bráulio Pedroso
O autor paulistano escreveu a telenovela que revolucionou o gênero: “Beto Rockfeller” (1968-1969). Natural de São Paulo, Pedroso iniciou carreira no cinema, como assistente de direção, montador e crítico. Ganhou notoriedade com a peça “O Fardão”, que conquistou o Prêmio Molière. Na TV, estreou com a comédia “O Cafona”. Entre 1974 e 1975, escreveu o seu melhor folhetim, “O Rebu”. Outro êxito do autor foi “Feijão Maravilha”, em que utilizou a linguagem cinematográfica das chanchadas nacionais dos anos de 1950. Bráulio Pedroso morreu em agosto de 1990, aos 59 anos.

Carlos Lombardi
Professor universitário, formado em Comunicação, o autor paulistano estreou na televisão aos 19 anos escrevendo para o Telecurso 2º Grau, da TV Cultura. Depois de colaborar com Silvio de Abreu em “Jogo da Vida” e “Vereda Tropical”, o dramaturgo teve sua grande chance em 1988 com “Bebê a Bordo”. Suas novelas – com destaque para “Quatro por Quatro”, “Uga Uga” e “Kubanacan” – são cheias de ação, humor, diálogos sarcásticos e pernas de fora. Carlos Lombardi também escreveu para cinema: “Um Trem Para as Estrelas”, de Cacá Diegues, e “Tela Rasgada”, de Ícaro Martins. O paulistano é autor da minissérie “O Quinto dos Infernos”, apresentada pela TV Globo em 2002.

Cassiano Gabus Mendes
O paulistano estreou como novelista em 1976, com “Anjo Mau”, apresentada pela TV Globo. Mas Mendes já contava longa experiência na televisão brasileira. É ele, por exemplo, o criador da série “Alô, Doçura”, que mostrava os problemas conjugais do casal Eva Wilma e John Herbert. O autor também foi o responsável por revolucionar o gênero ao idealizar “Beto Rockfeller”, escrita por Bráulio Pedroso. Cassiano Gabus Mendes se especializou em comédias. Suas tramas marcaram o horário das 19h na TV Globo. “Locomotivas”, “Elas por Elas”, “Ti Ti Ti” e “Brega & Chique” estão entre seus grandes sucessos. Além, claro, da genial “Que Rei Sou Eu?” (1989), novela ambientada no fictício reino de Avilan e que parodiava a mazelas brasileiras numa inusitada trama de “capa e espada”. O dramaturgo morreu em agosto de 1993, aos 64 anos, vítima de infarto.

Dias Gomes
Talvez o maior autor de novelas que o Brasil conheceu, o baiano Dias Gomes era nome já respeitado quando resolveu se dedicar às telenovelas. Com a peça “O Pagador de Promessas” (filmada em 1962 por Anselmo Duarte) ganhou projeção internacional. Polêmico e criativo, o autor subverteu a linguagem folhetinesca, desenvolvendo suas tramas sem os clichês característicos do gênero. “Bandeira Dois”, “O Bem Amado”, “O Espigão” e “Roque Santeiro” estão entre seus maiores sucessos. Com “Saramandaia”, de 1976, o dramaturgo inaugurou o realismo fantástico na telenovela. Imortal da Academia Brasileira de Letras, Dias Gomes morreu em um acidente de carro, em 1999, quando estava com 76 anos.

Gilberto Braga
O autor nascido no Rio de Janeiro é responsável por três grandes momentos da teledramaturgia brasileira: “Dancin’ Days” (novela que o consagrou), “Vale Tudo”, que imortalizou a personagem Odete Roitman (interpretada pela atriz Beatriz Segall), e “Escrava Isaura”, o folhetim eletrônico mais vendido para o exterior. Antes de se dedicar às telenovelas, Braga foi crítico de cinema e teatro na imprensa carioca. Além das novelas, o autor escreveu algumas minisséries de sucesso: “Anos Dourados”, “O Primo Basílio” e “Anos Rebeldes”. É dele também a autoria de outros grandes êxitos globais: “Água Viva”, “O Dono do Mundo”, “Pátria Minha” e “Celebridade”.

Glória Magadan
A cubana exilada no Brasil foi a grande figura do primeiro período das telenovelas brasileiras. O estilo folhetinesco e melodramático de Magadan – ou María Magdalena Iturrioz y Placencia – copiava as características comuns das radionovelas e, na época, era usado com sucesso em toda a América Latina. Quando as emissoras brasileiras passaram a apostar num formato mais próximo da realidade nacional, a hegemonia de Magadan ficou ameaçada - até que a TV Globo demitiu a autora no início dos anos de 1970. Contratada pela TV Tupi, ela ainda escreveu “E Nós Aonde Vamos?”. Depois de mais este fracasso, Magadan se mandou para Miami, onde continuou como autora de telenovelas.

Glória Perez
Autora de tramas sempre esquizofrênicas, a acreana nascida em Rio Branco iniciou sua carreira como assistente de Janete Clair na novela “Eu Prometo”. Depois, colaborou com Aguinaldo Silva na fracassada “Partido Alto”. Deixou a TV Globo e, em 1987, escreveu a polêmica “Carmem” para a Rede Manchete. Em 1990, retorna à emissora carioca e consegue notoriedade com a minissérie “Desejo”. No mesmo ano, emplaca um antigo projeto: a novela “Barriga de Aluguel”. Esses dois trabalhos levam Glória Perez ao horário nobre. Apesar do relativo sucesso de “De Corpo e Alma”, a realidade engole a novela. A filha da autora, Daniela Perez, é assassinada por um colega de elenco e comove o país. Em 2001, Glória volta ao ar com “O Clone”, um dos maiores êxitos da teledramaturgia moderna. Seus trabalhos são marcados pelo chamado merchandising social. Transplante de órgãos, crianças desaparecidas, clonagem humana, drogas, barriga de aluguel e deficiência visual já foram abordados em algum momento pela autora da lamentável “América” (2005).

Ivani Ribeiro
O grande sucesso de público da autora nascida em Santos, litoral de São Paulo, foi “Mulheres de Areia”, apresentada em 1973 na TV Tupi e que consagrou a atriz Eva Wilma. Ivani começou no rádio, onde alcançou notoriedade com programas como “Teatrinho da Tia Chiquinha” e “As Mais Belas Cartas de Amor”. Sua primeira telenovela foi “Corações em Conflito” (1963), adaptação de uma de suas histórias radiofônicas. Na TV Globo, a autora esteve à frente do remake de suas três principais telenovelas: “Mulheres de Areia”, “A Viagem” e “A Barba Azul”. Esta última rebatizada “A Gata Comeu”. Ivani Ribeiro – ou Cleyde de Freitas Alves Ferreira – morreu em 1995, aos 74 anos, de insuficiência renal.

Janete Clair
Um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira, Janete Stocco Emmer nasceu em Conquista, Minas Gerais. Antes de se tornar autora de novelas, foi rádio-atriz. Casada com o também dramaturgo Dias Gomes, Janete se consagrou na TV como a “Maga da Oito” – referência a seus constantes sucessos no horário das 20h da Rede Globo. Suas obras mais festejadas foram “Irmãos Coragem”, “Selva de Pedra” e “Pecado Capital”. Vale destacar “O Astro”, telenovela que fez o Brasil parar para ver quem era o assassino do personagem Salomão Hayalla, interpretado Dionísio Azevedo. Em “Anastácia, A Mulher Sem Destino”, Janete foi incumbida de cortar despesas de produção e reformular a história. Para resolver os problemas, a autora inventou um furacão que eliminou metade do elenco e dos cenários. Janete Clair morreu em 1983, vítima de câncer.

Lauro Cesar Muniz
Nascido em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, o autor iniciou carreira no teatro. Ganhou projeção nacional em 1963 com o espetáculo “O Santo Milagroso”. Na TV, estreou, em 1966, com a novela “Ninguém Crê em Mim”, apresentada pela TV Excelsior. Depois de passar pela Record, onde adaptou para o vídeo “As Pupilas do Senhor Reitor”, Muniz foi contratado pela Globo. Na emissora carioca, seu grande momento foi “Escalada”, de 1975. Outras obras bem-sucedidas do autor foram “Roda de Fogo” e “O Salvador da Pátria”.

Manoel Carlos
Ele começou sua carreira como ator, sendo um dos pioneiros da televisão brasileira. Manoel Carlos Gonçalves de Almeida nasceu em São Paulo e suas novelas costumam focar o universo feminino. Antes de se dedicar à teledramaturgia, o autor escreveu, dirigiu e produziu grande variedade de programas: o humorístico “A Família Trapo” e o musical “O Fino da Bossa”, entre outros. Em 1978, aos 45 anos, Manoel Carlos estreou em telenovelas com “Maria Maria” e, em seguida, “A Sucessora”. Com “Baila Comigo”, conquistou reconhecimento nacional. Em 1983, a morte do ator Jardel Filho, astro de “Sol de Verão”, marcou a saída do autor da TV Globo. Depois de realizar alguns trabalhos na Manchete e Bandeirantes, ele volta à emissora carioca. Afiadíssimo, emplaca três grandes sucessos: “Por Amor”, “Laços de Família” e “Mulheres Apaixonadas”. Além da minissérie “Presença de Anita” (2001).

Silvio de Abreu
Formado em cenografia pela Escola de Arte Dramática de São Paulo, o paulistano Silvio de Abreu iniciou carreira como ator, com aperfeiçoamento no Actor Studio. Silvio atuou em teatro (“Tchin-Tchin”), telenovelas (“A Muralha”, “Os Estranhos”) e cinema (“A Super Fêmea”). Sua estréia como autor de folhetins aconteceu em 1977, na TV Tupi, onde dividiu com Rubens Edwald Filho a autoria da adaptação de “Éramos Seis”. Mas a sua consagração viria somente em 1983, com a divertida “Guerra dos Sexos”, já na TV Globo. Seguiram-se outros êxitos nessa alinha até que, em 1990, o autor foi promovido para o horário das 20h. Daí vieram “Rainha da Sucata”, “A Próxima Vítima” e “Torre de Babel”. Nesta última, o autor teve que explodir um shopping center para eliminar da trama alguns personagens rejeitados pelo público.

Walcyr Carrasco
Autor de vários livros infanto-juvenis, Walcyr nasceu em Bernardino de Campos, no interior de São Paulo, e trabalhou por algum tempo como jornalista. Antes de estrear como novelista, escreveu para o teatro: “Batom” (que lançou Ana Paula Arósio como atriz) e “Êxtase”. Sua primeira incursão na teledramaturgia foi com as minisséries “O Guarani” e “Filhos do Sol”, na TV Manchete. Em 1997, um mistério rondava a novela “Xica da Silva”: quem era o autor Adamo Angel? O pseudônimo gerou especulações na imprensa, até que se descobriu a identidade verdadeira do noveleiro: Walcyr Carrasco. Autor de folhetins água-com-açúcar e bem-humoradas, como “O Cravo e a Rosa” (remake de “O Machão”), “Chocolate com Pimenta” e “Alma Gêmea”, Walcyr foi acusado de plágio pela trama desta última.

Walter Negrão
Nascido na cidade paulista de Avaré, o jornalista trabalhou no periódico “Última Hora” e na revista “Cláudia”. Na TV, iniciou carreira como ator, participando de diversos teleteatros nos anos de 1950. Sua primeira experiência como autor de novelas foi em “Antonio Maria”, colaborando com Geraldo Vietri. Os dois repetiram a dobradinha em “Nino, o Italianinho”. Em 1972, já na TV Globo, o autor alcançou grande sucesso com “O Primeiro Amor”. Dois personagens do elenco, Shazan e Xerife, chegaram a ganhar seriado próprio. Depois de passagem pela TV Tupi, nos anos de 1980, Walter Negrão voltou para a TV Globo, onde emplacou sucessos como “Direito de Amar”, “Fera Radical” e “Top Model”. 

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