quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Brazil com Z

O Brazil da gente inteligente, fashion e deslumbrada

Existe um Brazil que procura manter distância segura do Brasil do celular pré-pago.
É um Brazil formado por gente “inteligente”, fashion e deslumbrada.
Um Brazil que não acompanha futebol, não assiste TV e ignora quem é Luan Santana.
Um Brazil que sabe tudo sobre o novo clipe da Lady Gaga, o novo filme do Tim Burton, o novo disco do LCD Soundsystem, o novo livro do Nick Hornby e as novas tendências apresentadas na semana de moda de Paris.
Um Brazil de “indies” que lamentam a cada dia não terem nascido em Nova York, Londres, Berlim ou Amsterdam. Até vir ao mundo em Buenos Aires – para essa gente “inteligente”, fashion e deslumbrada – seria melhor do que pertencer à pátria dos “macaquitos”.
Um Brazil que tem vergonha do Brasil “moreno” que abre crediário nas Casas Bahia, faz festa na laje, farofa na praia e anda com pochete pendurada na cintura.

Que Brazil é esse?

Em círculos “descolados”, frequentados por essa gente “inteligente”, fashion e deslumbrada, o Brazil até parece um país louro e poliglota. Ali, ninguém sua, samba, bebe cerveja ou palita os dentes.
Todos têm Facebook. Orkut, nem pensar. A rede social do Google é muito popular por aqui. E qualquer coisa “muito popular” – futebol, TV ou Luan Santana – causa coceira nessa gente “inteligente”, fashion e deslumbrada que tem passaporte brasileiro por acidente.

É uma gente “globalizada”.

O populacho do Brasil que se vira no pão com mortadela nem sabe da existência desse Brazil com Z. Na verdade, o populacho está cagando para essa gente que faz fila para comprar o mais novo lançamento da Apple ou para assistir ao mais novo filme do mais novo cineasta sul-coreano que ninguém conhece.

Gente “inteligente”, fashion e deslumbrada adora exclusividade!

O problema é que esse Brazil de bolsa Louis Vuitton nada faz além de absorver passivamente o que vem de fora. É uma turma “limpinha” e inofensiva como galeria de arte. Tudo muito “chic”. Tudo muito bom. Mas tudo movido a desavergonhado copy/paste.

Sim, existe um Brazil que procura manter distância segura do Brasil do celular pré-pago. Mas é o Brasil do celular pré-pago que sabe deglutir as influências externas, digeri-las e regurgitar “algo novo”, essencialmente brasileiro. Taí o funk carioca e os pixadores para comprovar a superioridade cultural do boteco da esquina sobre esse arremedo de modernidade que é o Brazil com Z.

Z de Zureta.

2 comentários:

  1. Comecei a tomar gostaria de saber se é bom??to tomando uns 2 meses.

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  2. Comecei a tomar gostaria de saber se é bom??to tomando uns 2 meses.

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