segunda-feira, 27 de setembro de 2010

A descamisada que vestia Dior (Eva Perón)

Por Eduardo Logullo*

Eva Perón

A biografia de Eva Perón é manjada. Qualquer criança de 7 anos sabe que Maria Eva Duarte participou de peças teatrais inexpressivas, tentou ser cantora de rádio e atriz. Chamar a atenção dos homens era seu hobby. Uma fêmea atraente, com os dispositivos da libido sempre a postos – e aquele jeito com que algumas mulheres evidenciam suas intenções. A pergunta histórica que não quer calar é a seguinte: teria sido Maria Eva Duarte uma sirigaita? Sirigaitavas, Evita? (Sim, existe esse verbo intransitivo.) Sabemos, entretanto, que ela encantou o coronel Juan Perón em 1944, durante um baile beneficente no estádio do Luna Park, Buenos Aires. No ano seguinte, Eva assinava Perón no sobrenome. Em 1946, Perón, 51 anos, é eleito presidente da Argentina. E Eva subiu nas tamancas da história e de lá não mais saiu. Durante os seis anos seguintes, comandou a união das ligas pró-peronistas, que defendiam direitos trabalhistas no país. Sua popularidade era tão grande e seu carisma popular tão retumbante que Perón elevou a primeira-dama ao cargo de ministra do Trabalho e Saúde, enquanto a Fundação Eva Perón clamava a mulherada a militar no Partido Feminino Peronista. Em 1951, o ápice: Eva Perón, vice-presidente. Ou melhor, presidente, não é? Por que Perón, naquela altura do campeonato, era um tiozinho querido, porém de carisma 0,2. Outras perguntas que não calam: teria existido o peronismo sem a magnitude de Evita, sem as suas aparições eletrizantes com coques chignon, sem suas joias Cartier, sem seus vestidos Dior, sem os discursos inflamados que proferia nos balcões da Casa Rosada, sem os atendimentos pessoais aos descamisados? O peronismo teria sobrevivido sem a sua morte por câncer, no auge da popularidade? O peronismo teria prosseguido sem que Evita virasse “Líder Espiritual da Nação Argentina”? O que seria do peronismo sem o corpo embalsamado e idolatrado de Evita, levado e roubado e vilipendiado durante anos? Evita engoliu Perón para sempre. (Até que ele voltasse politicamente de modo errático na terceira mulher, Isabelita.) Santa Evita. 

Da série Engoli Meu Marido: Imelda Marcos | Tina Turner | Elizabeth Taylor | Nancy Reagan | Grace Kelly | Eva Perón | Madonna | Paris Hilton 

*Eduardo Logullo é jornalista e maluco. 

Texto publicado originalmente na revista ffwMAG! 

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