segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Desconfie de quem bebe vinho

Vinho: símbolo de status?

Em qual momento da história recente a classe média brasileira descobriu o vinho? Alguém sabe responder?

Outro dia, um amigo me surpreendeu com o seguinte convite: “Vamos sair pra tomar um vinho?”. Opa, o que aconteceu com a cerveja, o chopp e a cachaça? Ele explicou que estava frio e um vinho cairia melhor.

Aposto que esse meu amigo comprou os 16 volumes da coleção “O Mundo do Vinho”, lançada pela “Folha de S.Paulo”, e já sabe diferenciar os tipos, de quais uvas os vinhos são feitos e como são os processos de elaboração de cada um. Deve saber também sobre os países produtores, quais as melhores combinações entre vinho e comida, como armazenar e servir a bebida.

Meu amigo não é o único. De repente, o Brasil virou um país de “sommeliers” bebedores de vinho. Não o Brasil todo, claro. Ainda há quem respeite a tradição da cachaça e da cerveja. Mas o Brasil do meio, aquele formado por “caboclos querendo ser ingleses”.

Beber vinho virou espécie de símbolo de status para a nova classe média brasileira. É “chique”. Assim como acham “chique” circular pelas ruas de carro importado, assistir Ana Maria Braga numa TV de LCD de 42 polegadas, fazer um cruzeiro marítimo até o Caribe, esquiar em Valle Nevado, ser dono de um iPhone 4G, frequentar outlet de marcas famosas, jantar em restaurantes da Vila Olímpia, estar na primeira fila da Fashion Week.

Isso tudo podia ser “chique” até a semana passada. Beber vinho, inclusive. Mas, no Brasil, não sei o que acontece. Basta a classe média se apoderar de modos & costumes antes restritos a um pequeno grupo e o que era chique fica cafona, vira capa da “Veja”, reportagem do “Fantástico”, papo de “deslumbrados”.

Acho que quem realmente aprecia vinhos deve se sentir incomodado com essa gente barulhenta que, de uma hora pra outra, resolve pedir a bebida para acompanhar o seu bife com batatas fritas. Sim, os emergentes vivem um conflito existencial: ao mesmo tempo que querem adquirir gostos supostamente mais sofisticados, não conseguem abandonar a calça bege e o celular pendurado na cintura.

Não fui beber vinho com o meu amigo. Tinha outro compromisso agendado. E, pra ser honesto, não sei nada sobre vinhos, nem sou apreciador da bebida. Sei apenas que se até o Galvão Bueno virou marca de vinho, algo me diz que o fim do mundo está muito próximo.

Um comentário:

  1. Eu não entendo nada de vinho, mas, tirando saquê, é a única bebida alcoólica de que gosto. Odeio cerveja, chope, uísque etc. Mas sommelier de retaguarda é falo.

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