sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A deselegância é coisa nossa

Falou e disse!

A deselegância nos define!
A deselegância do modelito camelódromo da garota suburbana de cabelos descoloridos.
A deselegância do excesso de brilho da “perua” Botox que faz caridade para passar o tempo.
A deselegância dos deslumbrados da Fashion Week.
Sim. É deselegante ser deslumbrado.
Assim como é deselegante ser desdentado.
Baba, baby!
Tem churrasquinho de gato no meio da rua.
Tem gorda na praia de biquíni fio dental.
Tem pagodeiro com carro japonês e corrente de ouro.

O Brasil é muitas coisas – violento, corrupto, desorganizado. Mas é, principalmente, um país deselegante.

Do mais pobre ao mais rico, passando pela classe dos medíocres – a insidiosa classe média –, o brasileiro é desprovido de bom gosto ou discrição; é desalinhado, mal-arrumado; não possui delicadeza nem polidez; é grosseiro, desairoso e, para piorar, por vezes desonesto.

A deselegância é coisa nossa.
Tem a ver com a natureza cafona, malandra e metida à besta que formou este país de (des)camisados.
Tem a ver a com a cornolândia sertaneja que domina o mercado fonográfico.
Tem a ver com o “rebolation” e com as baianas de saias curtas e sacolejantes que comprovam nossa predileção por música de péssima qualidade.
Tem a ver com a bunda – um patrimônio nacional.
Afinal, que país sério tem a bunda como patrimônio nacional?

É deselegância demais!
Carros 4X4 de sujeitos com pinto pequeno.
Carros importados estacionados em fila dupla
Carros blindados, com chofer, vidros escuros e, lá dentro, uma madame depressiva lipoaspirada a caminho do psicanalista.

É deselegância demais!
Falar alto no metrô.
Furar fila.
Feder a suor.

É deselegância demais!
Jogar lixo nas ruas.
A "pátria de chuteiras"
O jeitinho brasileiro de levar vantagem em tudo.

Estava certo o profeta Gentileza, o “maluco” que abandonou sua vida de empresário para viver pelas ruas do Rio de Janeiro.
“Gentileza gera gentileza”, ensinava o profeta.
Em vão.
No Brasil, acham que elegância é vestir roupas de grife, comprar o mais caro, viajar para Miami, aparecer na Ilha de Caras e posar de (V)ery (I)mportant (P)erson.
Não, não é.

Elegância tem a ver com gentileza.
Gentileza tem a ver com civilidade.
E civilidade... Ah, o que é mesmo civilidade?

2 comentários:

  1. Concordo com sua visão acerca do excessivo "esculacho" em terras brasilis.

    Acredito que o meio tom seria ótimo, não tão "britânicos" a ponto de perder nosso traço de espontaneidade, mas também não tão entregues à selvageria primal.

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  2. nossa, encontrar teu blog foi a melhor notícia do dia.

    vou seguir e ficar mais pertinho das tuas ideias.

    bj.

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