terça-feira, 21 de setembro de 2010

Karatê Kid: 26 anos depois...

"Karate Kid", o original

Assisti “Karate Kid” em 1984. Há uns dois meses, assisti ao remake de “Karate Kid” em cópia pirata, baixada da internet. Entre o filme original e o remake se passaram 26 anos. Nesse período, o mundo mudou. Eu mudei. Em 1984, “Karate Kid”, com sua história boboca de superação, fazia algum sentido para mim. Ao vê-lo em 2010, não mais. Me tornei adulto. Envelheci. E, ao envelhecer, fiquei mais seletivo e exigente. Hoje, para conquistar meu coração, não basta me mostrar os seios. Tem que despir o corpo todo.

É o acúmulo de experiências – e não a idade – que nos envelhece. Nem sempre onde há rugas, há sabedoria.

O tempo passa. E, com o passar do tempo, vamos nos tornando pessoas chatas, ranzinzas, infelizes e incapazes de curtir bobagens como “Karate Kid”. Preferimos filmes “asiáticos” e gostamos ainda mais daqueles que não entendemos nada. Lembro que quando assisti “Karate Kid” pela primeira vez, pensei até em aprender algum tipo de arte marcial. Naquela época, ainda acreditava que podia tudo: lutar como Bruce Lee, falar mandarim, viajar pelo planeta com uma mochila nas costas, “ficar” com todas as meninas da escola, ser um astro do rock, mudar o mundo. Ainda comia hambúrgueres sem culpa. Não me amedrontava com novos desafios. E achava fumar o maior barato.

Era feliz e não sabia, como dizem os arrependidos. Mais que isso: a vida parecia uma festa sem fim, cheia de possibilidades e aventuras. Sentia-me indestrutível como o garoto de “Karate Kid”. Podia errar e recomeçar. E recomeçar de novo até acertar. Também podia usar a pouca idade como desculpa para minhas cagadas. A juventude é período de transição, de experimentações, de tatear a vida sem receio de se dar mal numa empreitada furada. Seguimos em frente, sobranceiros e barulhentos, certos de que vamos realizar grandes revoluções.

Mas, num belo dia – pluft! – descobrimos que gordura trans e nicotina fazem mal à saúde. E, por precaução, pisamos no freio. Deixamos as grandes revoluções pra lá e passamos a calcular calorias, a reclamar da baixa umidade do ar, a policiar nossas atitudes. O tempo de expectativas ficou para trás. E a finitude é logo ali. Nem Che, nem Dalai Lama, nem um astro do rock. Nos tornamos apenas adultos, parte da maioria sem nenhuma importância.

“Karate Kid” ensina que, com sacrifício, força de vontade e disciplina, podemos enfrentar os nossos medos, dar a volta por cima e vencer no final. Houve um tempo em que eu ainda acreditava nisso. Hoje, estou mais preocupado em permanecer no mundo, mesmo que essa permanência não me leve a lugar algum.

"Estar vivo me basta": essa é a grande mentira que repito a mim mesmo todas as manhãs. É modo cômodo de assumir a minha covardia diante da vida. E nem adianta os "profetas" da auto-ajuda dizerem que nunca é tarde para mudar. Burro velho não muda. Empaca.

2 comentários:

  1. vc se tornou uma pessoa triste, eu ao contrario de vc quando assisto nao e com a mesma enpolgaçao mais sim que filme como esse nao se fais mais hoje e mais sangue,violencia, e terror sem menhuma fantasia e sim uma triste realidade desculpa!! sinto tristesza por vc viver so por viver a vida com todos os seus problemas e bela.

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  2. /\
    /\
    /\
    Anônimo, Aurélio manda lembranças...

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