quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Manifesto do pintinho amarelo

Ai, meu pintinho!

Ser “japonês” no Brasil não é moleza. Normalmente nos colocam no mesmo saco com “chineses”, “coreanos” e outros de “olhos puxados” e “cara amassada”. E aí eu lembro daquela velha piada que diz que “japonês é tudo igual”. Não, não é. E se esse tipo de comentário não é preconceito, então eu posso achincalhar os viados e cantar “negra do cabelo duro” sem nenhum peso na consciência.

Se há uma minoria desassistida no Brasil, essa minoria somos nós, descendentes de japoneses, que sofremos discriminação velada e ninguém está nem aí com isso. Ah, você acha que eu estou exagerando? Pois saiba que desde criança nós somos ofendidos com piadinhas sobre nossos olhos e, principalmente, sobre nossos pintos. Por isso, exijo reserva de cotas para nós em universidades, na TV e no Congresso Nacional. 

Já ouvi certa vez: "Eu não gosto de japonês", como se eu fosse um espinafre. 

Este breve “Manifesto do Pintinho Amarelo” é em favor do “japonismo”. Entenda de uma vez por todas: apesar das nossas feições dizerem o contrário, nós, “japoneses”, somos tão brasileiros quanto Zumbi dos Palmares, a Escrava Isaura e os cearenses.

01. Entre homens negros, brancos e amarelos, nós, “japoneses”, temos, em média, o menor pinto. Isso é comprovado por pesquisas. Daí a quantidade absurda de piadas sobre o tamanho do nosso órgão reprodutor. Para piorar, usamos “pauzinhos” para comer. Apesar disso, este manifesto proíbe falar desse assunto, principalmente se você estiver na presença de um “japonês”.
02. Dizem que mulheres japonesas têm a vagina atravessada. É mentira!
03. Se me mandarem “abrir os olhos”, eu mando à merda!
04. Japonês, ao contrário do que fofocam, não cheira a nabo.
05. Nem todo “japonês” é inteligente ou nerd ou estudante de mecatrônica. Alguns, como eu, são completamente imprestáveis.
06. “Japoneses” não falam como esses que aparecem em comerciais de TV. Às vezes, somos retardados, mas não chegamos a tanto.
07. Nem todo japonês é “passivo”.
08. Dizem que japonês e samba não combinam. É verdade. Mas se eu quiser "botar o bloco na rua" o problema é meu.
09. Se me chamarem de “chinês”, “china” ou “coreano”, eu mando à merda!
10. Pra finalizar, Takakara Nomuro é a mãe!

Manifesto do Pintinho Amarelo: por um Brasil sem piadas de japonês!

Um comentário:

  1. Seu blog é muito bom! Vou passar a acompanhar! parabéns!

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