segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A moda agora é ser uma "pessoa melhor"

Tiger Woods: "preciso ser uma pessoa melhor"

Não sei se você reparou, mas a moda agora é ser uma “pessoa melhor”. E, para isso, vale qualquer truque: virar vegetariano, parar de fumar, plantar uma árvore, resgatar galinhas de macumba, seguir os conselhos do Paulo Coelho, fazer ioga, pintar o cabelo de loiro-dourado ou ler livros de auto-ajuda.

Até casar com o Brad Pitt é capaz de tornar uma pessoa melhor, como afirmou Angelina Jolie em entrevista para o jornal “USA Today”: “Aprendi muito com ele”. Outro que aderiu à onda do bom-mocismo foi Tiger Woods: “Preciso ser uma pessoa melhor”, reconheceu o golfista depois do escândalo que revelou suas escapulidas matrimoniais.

Ok, cada um faz o que achar mais bacana para aliviar a sua culpa. Eu, por exemplo, para ser ecologicamente correto e não desperdiçar água, procuro fechar a torneira enquanto escovo os dentes e faço xixi durante o banho. Mas será que isso me transforma automaticamente em uma “pessoa melhor”? Duvido. Continuo o mesmo projeto de ser humano inacabado, cheio de falhas e bastante estúpido. Por isso, desconfio de qualquer um que se diz “do bem” e quer convencer os outros de que é “pessoa melhor” porque “descobriu” Jesus.

E é incrível a quantidade de gente que anda “descobrindo” Jesus nos últimos tempos, não? Até as assassinas Anna Carolina Jatobá e Suzane Von Richthofen, segundo uma reportagem do “Fantástico”, converteram-se dentro da cadeia.

Em sua coluna na “Folha”, o escritor e filósofo Luiz Felipe Pondé escreveu algo com o qual concordo: “Desconfio de quem diz que ama a humanidade. Normalmente quem ama a humanidade detesta o seu semelhante [...] pensa que seria melhor que seu semelhante deixasse de existir para, em seu lugar, ‘nascer’ aquele tipo de gente que o amante da humanidade acha ideal. Prefiro pessoas que são indiferentes à humanidade, mas que pagam salários em dia.”

Pesado isso, não? Mas acho que combina com essas pessoas que, de uma hora pra outra, começam a espalhar correntes de “bondade” mundo afora, como se fossem Madre Teresa de Calcutá. Quantos e-mails com mensagens de “amor ao próximo”, música melosa ao fundo e imagens de bebês fofos você recebe por dia? Eu: muitos! Deleto todos sem ver.

Pessoa melhor pra mim é pessoa que cumpre suas obrigações morais com o próximo. Não esses que posam de “santos” porque ligaram para o 0500 do "Criança Esperança".

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