sábado, 25 de setembro de 2010

entrevistei: Fabrício Carpinejar

O escritor Fabrício Carpinejar

Ele é gaúcho de Caxias do Sul. Em 2009, com o livro “Canalha!”, recebeu o Prêmio Jabuti na categoria Contos e Crônicas. Tem 14 livros lançados. O mais recente – “www.twitter.com/carpinejar” (Bertrand Brasil) – reúne 416 frases, entre tantas outras, que Fabrício Carpinejar tem postado diariamente no microblog. Entusiasta da brevidade e da concisão – “Quanto mais breve uma biografia, mais intensa ela foi” –, o escritor apresenta suas inquietações em frases cortantes e bem humoradas, que mostram um autor atento às aflições contemporâneas. As orelhas, assinadas por Fernanda Takai, Daniel Piza e Abonico, também seguem o tamanho máximo de 140 caracteres. Por e-mail, Carpinejar concedeu a seguinte entrevista:

Em 140 caracteres, qual o tema central do seu livro?
Ter um limite pode nos encorajar a voltar ao início e reinventar as lembranças.

Por que publicar em livro frases postadas no Twitter?
Para fazer a ligação entre o livro e a rede e mostrar que o efêmero pode ser divertido e contundente. Há uma falsa impressão de que o Twitter é uma agenda de futilidades. Ou uma central de fofocas. A partir da concisão, tentei apresentar como o espaço é criativo e estimulante para o exercício do pensamento. Para pescar contradições. Para fisgar frases novas, aforismos, criar um suspense vocabular. Fazer versos, desfazer certezas.

140 caracteres são suficientes para expressar um pensamento?
Dá, inclusive, para definir uma vida. Quanto mais breve uma biografia, mais intensa ela foi. Fala demais quem está procurando justificar o que não foi feito. Bula de remédio, por exemplo, é enorme e só serve para aumentar a doença.

O que se escreve no Twitter pode ser considerado literatura?
Dependendo do autor, sim. O Twitter do Millôr é uma bela e devastadora antologia de máximas.

Por que decidiu aderir ao microblog? E com que frequência posta frases lá?
Eu aderi para substituir um fake criado pela namorada e por um amigo. Começaram a usar minha identidade. Já estava me sentindo impostor em minhas próprias fantasias. Posto cinco frases por dia. Gosto do improviso, de olhar para a tela e desenhar ventos.

O livro eletrônico vai acabar com o livro tradicional?
Não acredito, a cinta-liga ou o livro são fetiches, desenvolvem o nosso tato.

Sabe de algum outro livro que surgiu do Twitter?
Sobre o Twitter há vários livros explicando a rede e seu funcionamento. Mas com frases do Twitter, só conheço um tal de Carpinejar, que não é flor que se cheire.

Entrevista publicada originalmente na revista SPOT.  

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