quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O exagero simplifica as coisas

Ah, os exageros...

No fundo, no fundo, todos somos exagerados. Em tudo.
Para o bem ou para o mal.
Se fumamos, fumamos muito, principalmente quando estamos de porre – nos dois sentidos da palavra. Mas se largamos o vício, passamos a perseguir nossos ex-companheiros de baforadas com a ferocidade de um inquisidor.
É sempre 8 ou 80.
Hitler ou Madre Teresa de Calcutá.
Ame-o ou deixe-o.

Se dizem que rúcula faz bem à saúde, consumimos rúcula em excesso. E se dizem que o Luan Santana é gay, logo espalhamos para todo mundo que o menino é.

E danem-se a verdade, o bom-senso e o equilíbrio!

Em época de eleição, com os ânimos exaltados, o exagero costuma obstruir a nossa capacidade de entendimento das coisas.
O exagero simplifica as coisas. É mais fácil, por exemplo, exagerar nas promessas do que explicar de que maneira essas mesmas promessas serão cumpridas.

Entenda: Marina não vai resolver o problema do aquecimento global.

Da mesma forma, é mais fácil exagerar em suas convicções políticas do que analisar a ficha-corrida de cada candidato e reconhecer suas limitações. 

Nestas eleições, tivemos um exemplo didático sobre o exagero que beirou a histeria.
De um lado, Lula e seu ataque destemperado à imprensa. Do outro, um tal “Manifesto em Defesa da Democracia”.
Ambos exageraram.
Lula não pode (nem deve) interferir na liberdade de imprensa nem o Brasil “marcha para o autoritarismo”.

São apenas tolices de uma eleição que logo acaba. 

Outros exageros serão cometidos. E muitos outros mais. Afinal, o exagero é a parte mais interessante (e lamentável) da condição humana. 
É nutrido pela paixão. E a paixão costuma desmiolar até os mais sensatos. 

2 comentários:

  1. Nossa, adorei o post.
    Cai nesse blog sem querer, mas confesso que achei o texto divertido e muito bem estruturado!
    Voltarei mais vezes! =)

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  2. Oi Bia...
    seja bem-vinda ao mundo do Idiota Feliz! ;-)

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