quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O mundo assombrado pelos hambúrgueres

Filme "Tá Chovendo Hambúrguer"

Nos Estados Unidos, cerca de 100 milhões de americanos estão gordos ou obesos. Esse número representa mais de 60% da população adulta. Se o problema estivesse concentrado apenas no país dos hambúrgueres gigantes, a gente encerraria o assunto por aqui. Afinal, eles que inventaram o fast-food, eles que encontrem uma maneira de lidar com suas gorduras extras. Entretanto, pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2002 e 2003, aponta para o seguinte: no Brasil, 40,6% da população adulta também está acima do peso recomendado e 11% com obesidade. Conclusão: tanto lá como cá a situação é alarmante. Pior. De acordo com estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma em cada dez crianças está obesa.

É a tal epidemia de obesidade alardeada pelos especialistas. E o maior vilão dessa história é o chamado fast-food – o lanche rápido vendido por redes de lanchonetes como Burger King, Pizza Hut, Bob’s, Habib’s, Kentucky Fried Chicken, Taco Bell e McDonald’s. Vale lembrar que a comida padronizada, uniforme, rica em gordura e de fácil acesso não é a única culpada pelas silhuetas rotundas. Há uma combinação de fatores a inchar os comilões. Ao lado do fast-food, a diminuição da atividade física é outro bicho-papão a contribuir para o crescimento deste incrível exército de gordanchudos. Sim, as academias de ginástica estão abarrotadas de gente disposta a manter a boa forma, mas no dia-a-dia, em decorrência de algumas maravilhas tecnológicas – automóvel, computador, controle remoto, elevador, videogame etc. – estamos nos movimentando menos.

Outro motivo possível, de acordo com Felipe Fernandez-Armesto, seria “o fim das refeições regulares”, o que implicaria em “dias desestruturados e apetites indisciplinados”. Para o professor da Universidade de Londres e autor do livro “Comida - Uma História” (Editora Record), a refeição “formal” é socializante e nos humaniza. “A solidão da pessoa que consome fast-food é incivilizadora”. Fernandez-Armesto acredita que o perigo causa perplexidade porque é paradoxal. “Afinal, vivemos na cultura mais conscientizada e obcecada por dietas da história. Pensamos em magreza, mas engordamos”.

Maior fenômeno gastronômico do século 20, o mercado de fast-food fatura, só no Brasil, cerca de R$ 2,5 bilhões por ano. À frente dessa indústria milionária está o McDonald’s – símbolo máximo da “globalização do paladar”. Como sabemos, um BigMac é sempre um BigMac, seja em Tóquio, Bangcoc, Moscou, Paris, Nova York ou São Paulo. E essa padronização do gosto (ou “macdonaldização” do mundo) é visível nas “curvas sinuosas de um tentacular M amarelo” que identifica as mais de 30 mil lojas que a rede ostenta em 117 países. Por dia, o McDonald’s alimenta um total de 46 milhões de pessoas. É gente aos borbotões se entupindo de porções generosas e hipercalóricas de “comida rápida”.

Saúde em risco

Os gordinhos, antes considerados detentores de boa saúde, são vistos pela medicina atual como pessoas que necessitam de cuidados. E aqui não estamos falando apenas de uma silhueta que é marginalizada pelo padrão de beleza vigente. Se fosse só isso, danem-se as “anoréxicas”. O problema é que os obesos correm sérios riscos de enfrentar diversas doenças em decorrência do excesso de peso. Entre as mais comuns estão artrose, hipertensão e diabetes. Em casos de obesidade mórbida – quando a pessoa está, em média, 45 kg acima do peso ideal – a coisa fica ainda mais complicada, com acréscimo e gravidade de males: doenças coronarianas, hiperlipemias (gordura no sangue), arteriosclerose, acidente vascular cerebral (derrame), varizes, tromboses venosas, embolia pulmonar e até câncer. Um obeso mórbido tem até dez vezes mais chances de morrer em relação ao indivíduo com peso normal e sua expectativa de vida diminui em 20%.

E sabe qual o principal motivo para esse aumento de peso da população? Simples: a combinação nada saudável de vida sedentária com maus hábitos alimentares. Pelo menos é isso que as mais recentes pesquisas mostram. Mas, atenção: nem só as roupas apertadas ou o cansaço são suficientes para indicar obesidade. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o modo mais correto de avaliar o peso corporal de adultos é o IMC (índice de massa corporal). O índice é calculado dividindo-se o peso do paciente em quilogramas (kg) pela sua altura em metros elevada ao quadrado (quadrado de sua altura). Faça as contas e verifique se está ou não no peso ideal. 

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