quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O novo sempre vem

Philippe Semmelweis

Será que estamos abertos para novas ideias? Será que estamos preparados para mudanças de comportamento no trabalho, em casa e na vida social? Será que aceitaríamos numa boa formas diferentes de ver o mundo? Será que nossos pré-conceitos são recicláveis?

Leia essa história contada por David Servan-Schreiber no livro “Curar – O stress, a ansiedade e a depressão sem medicamento nem psicanálise” e perceba o quanto aquilo que é novo, inédito ou inusitado assusta o ser humano.

“O doutor Philippe Semmelweis, um médico húngaro, mostrou a importância da assepsia (técnica de esterilização) nos partos vinte anos antes que Lister e Pasteur tivessem chegado ao conceito de germe. Na época, na clínica onde o jovem doutor Semmelweis era professor assistente, uma em cada três mulheres morria de febre puerperal depois de dar à luz. As mulheres mais pobres de Viena, as únicas que iam para essas clínicas, o faziam apenas sob coerção porque sabiam o risco que estavam correndo.

O doutor Semmelweis teve um “insight” extraordinário ao sugerir o seguinte experimento: todos os médicos, que geralmente faziam dissecação sem luvas antes de se apresentar para o parto, tinham que lavar as mãos com cal antes de tocar a genitália das pacientes. Ele teve enorme dificuldade para impor a sua ideia. Como esses eventos ocorreram antes da descoberta dos germes, não havia uma razão lógica para acreditar que mãos limpas pudessem transmitir alguma coisa invisível e sem cheiro que poderia causar a morte.

De qualquer maneira, os resultados desse experimento foram extraordinários. Em um mês, a mortalidade tinha caído de uma paciente em três para uma em vinte. Mas a principal consequência do experimento do doutor Semmelweis foi sua demissão. Seus colegas, que achavam tedioso lavar as mãos com cal, rebelaram-se e conseguiram que ele fosse mandado embora. Como não havia uma justificativa plausível para tais resultados na época, o doutor Semmelweis e sua ideia improvável foram alvo de escárnio, apesar de sua brilhante demonstração. Ele morreu à beira da loucura, só alguns anos antes das descobertas que finalmente possibilitaram a Pasteur e Lister fornecer uma explicação científica para o que o doutor Semmelweis descobrira empiricamente.”

Moral da história: o novo sempre vem - quer a gente queira ou não.

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