sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A preguiça do desejo

Preguiça do desejo

Em sua coluna na “Folha de S.Paulo” (23/09/2010), intitulada “Felicidade na tela”, Contardo Calligaris pergunta: 

     – “Você é infeliz porque ainda não conseguiu tudo o que você queria, ou porque parou de querer, e isso torna a vida muito chata?”. 

Matutei sobre a questão apresentada pelo colunista e concluí que, sim, eu “parei de querer” há algum tempo e vivo uma espécie de “preguiça do desejo”.

É um viver no piloto automático. Sem vontades imediatas nem a longo prazo. Para mim, tanto faz se é segunda de manhã ou sábado à noite. Se vai chover ou não. Se o mundo vai acabar hoje ou daqui a 10 milhões de anos?

Acredito que foi esse “querer anestesiado” que me levou ladeira abaixo ao oxalato de escitalopram, ao antidepressivo Êxodus.

A boa notícia é que o Contardo me ajudou a compreender melhor essa minha tristeza de pratos sujos acumulados sobre a pia. Agora, só falta recuperar a vontade de atender ao telefone e dizer: "Sim". 

Um comentário:

  1. Acho que cansa esse querer e não conseguir. Uma hora desiste. Mas esse é um comentário pessimista.

    Talvez a gente só tenha que ficar feliz em conseguir coisas mais simples...

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