sábado, 11 de setembro de 2010

Quem me vigia me quer bem

Vida de casado

É foda suportar as primeiras reações adversas do antidepressivo Êxodus. Tontura, mal-estar, suor na sola dos pés, sonolência, fraqueza e libido zero. O psiquiatra me avisou que esses efeitos colaterais seriam imediatos. É preciso vencer essa fase, persistir no tratamento e esperar até 15 dias para o medicamento começar a ter uma ação antidepressiva. Até lá, vou me segurando como posso, trancado dentro de casa, receoso de ir para a rua e me esborrachar no chão.

Estou mal. Mas conto com o apoio de JK. E isso me conforta: saber que tenho alguém ao meu lado, pronto para me socorrer em qualquer emergência. JK sempre achou depressão "doença de gente rica". Acabou entendendo que não é bem assim. E tem me cercado de atenção para fazer com que eu me sinta melhor.

Existem pessoas que preferem a “selvagem” vida de solteiro. Alegam que não nasceram para compartilhar a cama com ninguém e não perdem a oportunidade de maldizer a monogamia. Sei lá, acho meio papo furado de quem ainda não encontrou “a pessoa certa”. Afinal, não há nada mais revigorante do que estar ao lado de quem a gente gosta. Quem já experimentou, sabe.

No início do relacionamento, somos dois estranhos brincando de esconde-esconde. Um tentando esconder do outro as suas imperfeições. Aos poucos, vamos baixando a guarda e nos revelando por inteiro, sem truques nem dissimulações. É nessa hora que nos tornamos íntimos pra valer e a vida a dois realmente começa. E, se a intimidade acaba com o encantamento inicial, ao menos nos liberta das vergonhas. Uma amiga diz que intimidade é "usar o banheiro" enquanto o parceiro escova os dentes. É isso. Intimidade é deixar o outro limpar a nossa bunda.

Eu e JK, juntos há quase dez anos, já somos íntimos há bastante tempo. E essa intimidade nos fez “uma pessoa só”: independentes, claro, mas co-autores de uma aventura doméstica cheia de mistérios, descobertas e reviravoltas. Somos dois em um, com incompatibilidades impossíveis de resolver, mas tão contagiados um pelo outro, que eu nem sei mais onde começa a minha gripe e termina a dele.

Vida de solteiro é liberdade. Vida de casado é liberdade vigiada. Eu prefiro a segunda opção. Quem me vigia me quer bem. 

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