quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Respeite a independência de cães e gatos

Cães & gatos

Marcelo Dourado, o vencedor do Big Brother Brasil 10, é “poodlefóbico”. Logo que venceu o reality show da Globo, ele foi no programa Mais Você!, de Ana Maria Braga, e fugiu de Belinha, a poodle da apresentadora. Não sei se estava fazendo cena. É bem provável. Mas isso não vem ao caso e nem quero falar sobre o Dourado. 

Na verdade, o que me chamou a atenção nessa história foi a sua suposta “poodlefobia”. Acredito que ele não seja o único a sofrer desse mal. O poodle, por culpa de algumas senhoras desocupadas, virou sinônimo de cachorro afrescalhado e, por isso, rejeitado por muitos. Tremenda injustiça. Os cães não podem ser responsabilizados pela demência de senhoras que os transformam em “bibelôs”, enfeitando-os com laços cor-de-rosa ou coleiras cravejadas de cristais Swarovski.

Tenho duas cadelas em casa: Nikita e Naomi. Domingo, fui comprar ração para elas em um grande supermercado especializado em produtos para animais de estimação. Fiquei impressionado com a quantidade de “mimos” absolutamente inúteis para cães e gatos, e me lembrei de uma reportagem publicada na extinta "Revista da Folha". Intitulada “Eles Estão na Moda”, a reportagem falava que “roupinhas e acessórios tornaram-se itens essenciais aos pets” e que “a moda dos animaizinhos deve seguir o estilo internacional das marcas mais badaladas”. Informava que, em abril passado, aconteceria “a primeira edição da semana de moda dedicada aos cãezinhos da América Latina”.

Repare que a autora da reportagem usa e abusa dos diminutivos: “roupinhas”, “animaizinhos”, “cãezinhos”. É dessa forma debilóide, infantilizada, que muitas senhoras tratam cães e gatos de estimação, violentando a natureza dos bichos, que são “obrigados” a vestir roupas da moda (como incentiva a reportagem da "Revista da Folha"), calçar sapatos, fazer piruetas e se comportar bem na presença de visitas apenas para agradar a empáfia de suas donas. Essas senhoras, creio eu, são as mesmas que param o carro em fila dupla, ocupam vagas reservadas para deficientes, preferem animais com pedigree (por que será?) e se entopem de Prozac e Botox para suportar a própria insignificância. Dondocas à toa que estão no mundo apenas para ocupar espaço.

Todo animal deve ser tratado com respeito. Os bichos de estimação – cães e gatos, principalmente – são companheiros e, muitas vezes, preenchem o nosso vazio existencial. Tê-los em casa torna o ambiente mais alegre e aconchegante. Mas devemos respeitar a independência e a personalidade deles. Os cães, ao contrário de nós, não são movidos por vaidade nem por ostentação. Basta lhes dar atenção, carinho e comida para que pulem sobre nós, abanando o rabo de felicidade.

Transformá-los em “objetos de adorno” é crueldade que me revolta o estômago. 

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