sábado, 18 de setembro de 2010

A revolução homossexual

Cena do filme "Otto", de Bruce LaBruce

Em entrevista ao jornal mexicano “La Jornada”, Fidel Castro assumiu a culpa pela onda homofóbica que varreu Cuba há quase cinco décadas. Na época, os homossexuais cubanos foram enviados à força para campos de trabalho agrícolas. Segundo o velho comunista de 84 anos, gays seriam contrarrevolucionários. Essa declaração do Fidel me fez lembrar do filme “Raspberry Reich”, do cineasta canadense Bruce LaBruce. No filme, um grupo de terroristas liderados por uma loira-de-peruca sequestra o filho de um industrial com o objetivo de iniciar uma “intifada homossexual”. As ideias pop-pornográficas do bando explodem em letreiros coloridos na tela: “Não há revolução sem revolução sexual! Não há revolução sexual sem revolução homossexual! A heterossexualidade é o ópio do povo!”.

Se entendi bem a mensagem política do filme, para LaBruce, a homossexualidade seria a chave para uma revolução que mudaria o mundo. É a velha retórica que defende os homossexuais como pessoas mais “avançadas” do que o resto da humanidade. Será? Duvido. Se fossem, não brigariam tanto por uma instituição falida como o casamento. Sim, o casamento gay com bolo de noiva é um retrocesso ideológico e não um avanço, como muitos crêem. Na Argentina, no primeiro dia em que vigorou a lei de união civil entre pessoas do mesmo sexo, dois homens apareceram na mídia vestindo paletó e gravata, com alianças nos dedos e celebrando a data com champanhe. Estavam radiantes por mimetizar a mais tradicional e careta cerimônia heterossexual. Casais gays também querem adotar crianças, constituir família, viver felizes para sempre. Estão no direito deles. Mas o que há de revolucionário nisso, hein, LaBruce?

Não me entenda mal. Sou a favor de que todas as pessoas, sem exceção, tenham direitos iguais. Mas por que gays e lésbicas querem tanto se beijar em público, macaqueando a atitude cafona e deselegante dos casais heterossexuais? No filme de LaBruce, há uma cena em que dois rapazes passeiam pela rua aos beijos, provocando olhares espantados nas pessoas. É essa bobagem que o diretor acha que mudará os costumes?

Conheço homossexuais que sentem necessidade quase patológica de expor sua orientação sexual. Como LaBruce, querem “chocar”. Acreditam que dividir a cama com alguém do mesmo sexo seja algo revolucionário. Mas, no fundo, nada fazem além de repetir modos & manias dos heterossexuais.

Acho que seria mais bacana assumir de vez que somos diferentes e buscar novas maneiras de conviver. Aí, sim, a homossexualidade poderia ser revolucionária, reinventando para si um mundo livre das antiquadas tradições judaico-cristãs. Enquanto usar alianças de casamento nos dedos, pode ter certeza: as chacotas não cessarão. Afinal, nem sempre o que cai bem em Gertrudes, cai bem em Maricotinha. É preciso outro modelo, outra forma de ver o mundo. Evitar o mico da marcha nupcial é um bom começo. 

2 comentários:

  1. Que inteligência limitada, quadrada.
    Péssimo texto e péssima ideia sobre o assunto!
    As coisas são muito mais vastas.

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  2. Fazer as mesmas coisas que os heteros é meramente um detalhe. Vc se apega a coisas muito pequenas. Veja os países com melhor qualidade de vido no mundo. São os primeiros a darem suporte a gays.e os países mais violentos e desiguais são os q mais sao homofobicos. Vou ver esse filme

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