terça-feira, 7 de setembro de 2010

Rita Lee sem censura

Rita Lee

Rita Lee falou mal de Itaquera. Falou mal do projeto do estádio do Corinthians em Itaquera. E deixou o Twitter depois de ser ameaçada: “aproveito o espaço q me sobra p/ dizer q o medo d acontecer algo comigo e c/ minha família é real".

Rita Lee, no Twitter, às vezes extrapolava. E extrapolou no seu comentário sobre Itaquera. Mas, e daí? Será que não podemos mais debochar de nada? Não podemos ser crueis com ninguém? Temos sempre que baixar a cabeça para o “bom-mocismo” de araque dos ofendidos?

Conheço dois tipos de gente: 1) aqueles que querem consertar o mundo; 2) aqueles que sabem que o mundo não tem conserto. Eu me incluo no segundo grupo. E me divertia com a Rita Lee sem censura, zombando dos outros e de si mesma. Melhor ela, com sua escrita desafinada, do que a cambada que invadiu o Twitter para panfletar em nome da candidata ciborgue.

Não sei onde vai parar essa “higienização” do pensamento. Até o palavrão foi proibido em estádios de futebol. Agora, “proibiram” a Rita Lee de tuitar. Rita é desaforada? É. Mas qual o problema? Adoro gente desaforada e estúpida ao ponto de afirmar, em público, que Itaquera “é o cu de onde sai a bosta do cavalo do bandido”. Pelo menos, eu sei com quem estou lidando.

Talvez o mundo fosse um lugar melhor para se viver se a gente levasse as coisas menos a sério. Hoje, qualquer bobagem gera indignação: “Ooooh... ela falou isso?!”. Sim, falou. Quem não gostou que responda à altura. Pronto. Questão resolvida. Mas, neste “mundo perfeito” que estamos construindo, é preciso ameaçar de morte os desaforados, afugentar os fumantes, enquadrar os carnívoros, eliminar os gordos e decepar os feios.

Rita Lee se calou. Os ofendidos comemoram. E Itaquera continua lá, no mesmo lugar distante de sempre. Sinal dos tempos: cada vez mais, fazemos muito barulho por nada. 

Um comentário:

  1. Acho a Rita Lee chatíssima, mas defendo até a morte seu direito de falar as merdas que quiser. Concordo totalmente com seu texto.

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