quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Vendo meu corpo por R$ 2,50

Prostituição masculina

Era segunda-feira. Fazia um frio danado. À 1h, o boteco baixou as portas, obedecendo a Lei do Psiu. Resolvemos ir para outro bar. Na verdade, um “inferninho” escuro, malcheiroso e decadente da região central de São Paulo. Lá dentro, homens, a maioria de meia-idade, bebiam cerveja nas mesas, enquanto garotos de cueca “desfilavam” pelo ambiente, entretendo os clientes.

Eram 8 ou 10 meninos. Deviam ter, no máximo, uns 21 anos. No palco, dois deles dançavam ao som de uma música altíssima, que obrigava todos a falarem aos berros. No telão, rolava um filme pornô. 

Sentamos em uma das mesas. O garçom, também garoto, vestia apenas um avental que deixava sua bunda à mostra. Pedimos cerveja e, para mim, uma Coca com gelo e limão (não estou bebendo).

Logo, um dos garotos se aproximou da nossa mesa. Sorriu malicioso e, com galhardia, nos apresentou o seu pau duro e grande. Um amigo, habitué do lugar, explicou como as coisas funcionam. Os meninos recebem de R$ 20 a R$ 30 de cachê. Passam a noite percorrendo as mesas e “excitando” os clientes. Ali mesmo, marcam programas que não custam mais que R$ 50.

É esse o valor de uma trepada no mercado da prostituição masculina em São Paulo. E, se o cliente pechinchar, leva por muito menos. Na mesma noite, me contaram a história de um rapaz que certa vez se oferecia por R$ 2,50. Era o valor que ele precisava para pegar o ônibus e voltar para casa.

Lá pelas 3h, saímos do bar cheirando a sexo barato. Um cheiro nauseabundo que me lembrou os romances do Bukowski.

Nesses buracos escuros do centro da cidade, onde o corpo é comercializado a preço de banana, não há espaço para sutileza, pudor ou “bons modos”. Há apenas garotos seminus expondo a “mercadoria” e um bando de velhos babões a fim de levá-los para casa.

São lugares onde a vida não vale muito mais que uma passagem de ônibus.

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