segunda-feira, 4 de outubro de 2010

6.126.201

Anular é protestar?

Esse número aí em cima é o número de votos nulos, de gente que resolveu “protestar” contra a politicanalha que comanda este país. (Número registrado às 13h de segunda, 4 de outubro. Deve ter subido nas horas seguintes).

Eu sou o (1). Ali no finalzinho. Ainda meio envergonhado de “passar em branco”, enquanto milhares de brasileiros foram às urnas de punhos cerrados, orgulhosos de participarem dessa tal “festa da democracia”.

Foi a primeira vez, desde que conquistamos o direito de eleger o presidente do Brasil, que anulei meu voto.

Não foi uma decisão fácil.

Ao me posicionar diante da urna, vacilei. Pensei em voltar atrás. E, quem sabe, digitar o 13 do começo ao fim. Esse é o número da “continuidade”, do Bolsa Família, do “Brasil que tirou não sei quantos milhões da miséria”, não é?

Jamais votaria de última hora na “Onda Verde” da Marina ou no “Brasil Pode Mais” do Serra. Sou preguiçoso, mas não sou ingênuo. 

Vacilei, mas não desisti de anular o meu voto. Depois de digitar os zeros necessários, confirmei, finalizei e voltei pra casa com um nó na garganta. Me senti como uma criança que tinha acabado de aprontar uma travessura.

Será o voto nulo ou branco apenas travessura de quem não quer se comprometer?

Fiquei matutando sobre essa questão. Talvez eu fosse apenas um “rebelde sem causa”, incapaz de analisar a situação política do país e, por isso, tenha optado por me abster para camuflar meu desentendimento das coisas.

Estava quase me convencendo disso.

Mas, ao acompanhar a apuração dos votos pela TV e observar alguns dos candidatos eleitos, estou aliviado por não compactuar com um processo eleitoral que elege gente como Renan Calheiros, José Nobre Guimarães (envolvido no caso dos dólares na cueca), Garotinho, o "ficha-suja" Paulo Maluf e eteceteras de igual natureza podre.

No segundo turno, voltarei a digitar ZERO. 

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