quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ai, ai, esse nhenhenhém indignado...

Henfil, 1969

Por que todo mundo só fala sobre coisas sérias? Que chatice, não? Que tal falar um pouco de bobagem?

Zoaram com as gordas na UNESP e os indignados: ooooooh! Como se zoar com gordas fosse algo fora do comum. Não é. Assim como zoar com baixinhos, carecas, barrigudos, “esquisitos” e outros “alienígenas” que não se encaixam nesse tal “padrão de beleza” é atitude corriqueira entre os bárbaros.

Aí, alguém vai resmungar: “Porra! A gente não pode deixar essas coisas acontecerem! Precisamos nos mobilizar!”. A gente quem, cara pálida? Intelectuais de esquerda fingindo que estão alarmados com os desmandos do mundo enquanto seus filhos frequentam escolas particulares? Ou burgueses magrinhos de classe média bebedores de vinho chileno dando uma de “boa gente”?

Tome tento, dona Maria! Esses caras falam bonito, demonstram preocupação social, mas na primeira oportunidade são capazes de devorá-la viva! Afinal, basta observar quem é que limpa o chão de quem nesse Brasil “progressista” cheio de “boas intenções”.

Quero, sim, um mundo mais justo. Mas não creio na justiça dos homens. Por isso, entrego nas mãos de Deus. E não poso de burguês arrependido porque não me arrependo de comprar uma TV de 42 polegadas enquanto milhares de pessoas passam fome no mundo.

Você se arrepende?

Ter consciência social é muito bonito, mas não livra ninguém do inferno. Prefiro honestidade social: pagar meus impostos em dia, respeitar quem é diferente de mim e parar no sinal vermelho. Mais que isso nada posso fazer pela humanidade. Não sou Madre Tereza de Calcutá e nem estou interessado em distribuir o que tenho para os pobres.

O que me incomoda demais nesse nhenhenhém indignado são as inconsistências entre realidade e discurso. No discurso, somos todos “bonzinhos”: não jogamos lixo na rua, não falamos mal da vida alheia, não desrespeitamos as minorias, não zoamos gordas e, para mostrar que estamos do lado do “bem”, denunciamos cheios de empáfia quem faz essas coisas “feias”. Ora, ora, ora...

E na realidade, hein? 

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“Que bacana! Você normalmente aplaca sua consciência culpada com esmolas de 100 ou 200?”, pergunta o genial Henfil na charge acima.

Acho que não preciso dizer mais nada, né? 

Um comentário:

  1. Hipocrisia humana, sempre presente.
    E a gente tem que aguentar.
    "Ai, ai".

    Beijos!!! =*****

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