sábado, 30 de outubro de 2010

Como explicar a morte do pedreiro Vilmar?

Saúde no Brasil

Enquanto Vossas Excelências posavam de “salvadores da pátria” em algum canto do Brasil, prometendo o que nunca vão cumprir, o pedreiro Vilmar Camargo dos Santos, 47, depois de agonizar, morria numa calçada da região central de São Paulo.

Relata Fernando Barros e Silva na “Folha”: “Com dor no peito, Vilmar procurou um posto de saúde (uma UBS/AMA, onde, em tese, há consultas agendadas e atendimento ambulatorial de emergência). Na recepção, no entanto, indicaram-lhe o pronto-socorro na quadra ao lado. Vilmar morreu no meio do caminho, em frente a uma escola. Estava a 20 passos de uma Unidade Básica de Saúde e a 40 passos de um pronto-socorro municipal. Ninguém se mexeu, nem na UBS nem no hospital, para salvar sua vida. O IML levou quatro horas para remover o corpo.”

Quem acompanha o noticiário sabe: a morte de Vilmar não foi um “caso isolado”. Como ele, milhares de brasileiros perdem a vida por desprezo de Vossas Excelências que, em época de campanha eleitoral, mostram-se atenciosos e preocupados com as mazelas do Brasil, mas, depois de eleitos, pouco fazem para melhorar a situação da população mais pobre. Sim, são os votos dos pobres que elegem Vossas Excelências e são os pobres os primeiros a serem “esquecidos” nas filas dos hospitais públicos.

Existe o outro lado, claro. Atendido pelos melhores médicos do país, o vice-presidente José Alencar resiste com valentia ao câncer. Suas idas e vindas ao hospital são noticiadas com atenção pela imprensa. Alencar é um privilegiado. Pertence à parcela da população que pode “pagar para viver”. Ao contrário do que aconteceu com o pedreiro Vilmar, é prontamente socorrido numa emergência. No Brasil de Alencar há leitos com lençóis brancos e limpos. No Brasil de Vilmar, descaso.

Durante a campanha presidencial, principalmente no segundo turno, Vossas Excelências discursaram muito “em favor da vida”. Falaram e falaram e falaram para convencer o eleitorado de que são pessoas “do bem”. Talvez até sejam. Mas, se defendem tanto a vida, como explicar a morte de Vilmar?

Já não adianta fingir indignação nem vomitar montantes estratosféricos que supostamente seriam investidos em saúde pública. É preciso estar pra valer entre os pobres, dando-lhes a atenção que necessitam. Mas aí não sei se Vossas Excelências, depois da contagem final dos votos, estariam interessadas em continuar a abraçá-los no meio da rua. Pobre sua muito. E esse suor fede, não é, candidatos?

2 comentários:

  1. Durante campanha eleitoral tudo é muito bonito. Depois de conseguido o posto como presidente, fazem o que bem entendem.

    O Vilmar deve ser "só mais um" desses que sofrem e morrem no meio da rua, diante de olhares de curiosos e, depois, sendo desprezado.

    E o que o IML fazia que demorou para chegar e deixou que o pedreiro se expusesse dessa forma por tanto tempo?

    Realmente, não tem muita explicação, não.
    E o pior é que essas coisas não acontecem só aqui no Brasil...

    Beijos, Marcos! =****

    ResponderExcluir
  2. para ele, sou bem dizer uma desconhecida,que sentiu muito pela sua partida,em deixar sua familia,não tenho nem palavras para dizer a sua mulher,Selma,os meus profundos sentimentos.
    é a pura verdade o descaso com todos nós que o governo faz,o pobre não tem vez,nem na hora de sua morte,um sofrimento terrivél,para todos.
    Meu voto é uma obrigação como cidadã BrASILEIRA,MAS NÃO VALE DE NADA.

    ResponderExcluir