sábado, 23 de outubro de 2010

A cusparada de Kurt Cobain

Kurt Cobain

Em janeiro de 1993, durante apresentação no finado Hollywood Rock, Kurt Cobain, o vocalista do Nirvana, cuspiu na câmera da TV Globo, que transmitia o festival, e simulou se masturbar no palco. Um ano depois, em abril de 1994, o músico se suicidou com um balaço de espingarda na cabeça. Acabava ali o Nirvana e morria o último representante legítimo do rock.

Legítimo porque Cobain simbolizava o que havia de mais instigante e perturbador no rock: atitude, excesso, fragilidade, poesia, raiva, insatisfação, honestidade artística, doideira. Depois dele, quem mais se arrebentou até sangrar?

O rock encaretou. Envelheceu. Sucumbiu à correção política. No cenário atual, roqueiros são vegetarianos, defendem causas humanitárias, respeitam a pentelhice do público, participam de festivais “do bem” – supostamente “sustentáveis” como o SWU – bebem água de coco e comem barrinha de cereais e tofu no camarim.

Doidões como Jim Morrisson, Syd Barrett ou Ian Curtis não existem mais. Estão fora de moda. São prontamente repreendidos pelo público e pela mídia e, como bebês chorões, se arrastam para a clínica de reabilitação mais próxima para desintoxicar corpo & mente. “Rehab”, sacou?

“Rehab” = reabilitação: essa é a palavra, a ideia de "pessoa melhor" por trás do patrulhamento ostensivo que busca a “regeneração moral” de todos. A humanidade despirocou para a “saúde total”, o “comportamento exemplar”, e o rock foi junto. Não é mais legal atirar cadeira contra jornalistas, como fez Axl Rose nos anos 90. Roqueiro legal é roqueiro que responde às perguntas dos repórteres baba-ovo com polidez e educação.

Observe o que fala o menino Pedro Lucas, vocalista do Restart, banda-sensação entre a garotada teen: “Acho esse conceito de doideira meio ultrapassado, uma coisa que parou ali nos anos 80. Acho que o amor, a postura tranquila, essas coisas é que conseguirão mudar o mundo. Você pode passar um tempo com seus pais e não precisa cair de bêbado para ser rock’n’roll”.

Didático, não?

Na questão comportamental, desconfio de que não haja nada mais careta do que os roqueiros, embora, musicalmente, ainda pipoquem novidades interessantes aqui e ali. No meu tempo, havia o chamado conflito de gerações – e as mães, se pudessem, quebrariam a caixa de som na cabeça dos filhos. Hoje, pais, filhos & netos vão juntos assistir ao show do Paul McCartney no Morumbi.

A rebeldia caducou. E todo “delito de opinião” ou comportamento fora dos padrões estabelecidos é encarado como ofensa, atraso mental, sem-vergonhice. Antigamente, os pirados eram admirados e queridos. Agora quem manda são os “bonzinhos” sem opinião sobre coisa alguma.

O Cobain devia estar aqui para soltar outra cusparada na cara desse público. 

7 comentários:

  1. Também acho que rola muito esse falso moralismo no mundo da música. E ninguém conseguiu ser tão verdadeiro quanto o Kurt. Admiro-o por isso. Ele podia ser extremamente problemático, mas era sincero, pelo menos. Fazia os shows drogado, caía no chão, xingava e chutava quem enchia o saco.

    Se você faz isso hoje, vai pro jornal como uma pessoa violenta e mal educada. Não que isso não seja verdade, mas ter atitude é muito mais do que doar alguns milhões de dólares pra uma ONG e ser elogiado por boas ações.

    Pra mim, a melhor boa ação que um músico poderia fazer era trazer significado pra alguém, com suas letras. Poucos conseguem e são esses que valem a pena.

    Gostei do post!
    Beijos!!! =*****

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  2. Realmente existe um falso moralismo no mundo da música, principalmente hoje em dia. Os artistas são bons, são os melhores, porque eles são bonzinhos. Hoje em dia, ir bêbado e drogado pro palco seria uma falta de educação, e é. Acho que tem gente que procura o rock pra encontrar o que ainda tem de verdadeiro nas pessoas. Kurt é o cara mais verdadeiro que já vi.

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  3. Kkk vc tem quantos anos??? Nada a ver certas coisas,mas rock certinho não é rock! Deve gostar de Restart kkk

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  4. vey restart pooo faz favor...

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  5. O kurt e um verdadeiiro ele tem razão eim tdd q fazz;........
    porra quem e vc pedroo .
    banda sensaçao num sabe de porra nenhuma ..
    caralhoo.
    restart e uma merdaa

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  6. Comentário infeliz da sua parte criticando quem é vegetariano, sou vegetáriano e por isso nao so um roskeiro como esses _|_

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  7. eu curto rock desde os meu 12 anos e acredito que pra ser um artista não é necessário se usar drogas, fazer baderna e tal( não recriminando os artistas q se comportaram ou se comportam dessa maneira) acho que o talento e uma letra bem realista já é o bastante na minha opinião, vai de cada um!

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