sábado, 9 de outubro de 2010

Deus é perigoso

Deus é contra o aborto

Nunca se falou tanto em Deus. É Deus pra cá, Deus pra lá. E Deus, na boca de político, soa falso como uísque paraguaio.

É alarmante ver os presidenciáveis com o rabinho entre as pernas, submetendo-se à gritaria das beatas, usando Deus como cabo eleitoral. Quer saber? Acho que Deus não está nada contente de ter seu nome envolvido nesse debate xiita-religioso sem eira nem beira. Ou está rindo de nós: bobos que ainda acreditamos em políticos falastrões.

Sabemos que Deus é contra o aborto. Mas Deus é sacana. Um fanfarrão, acrescentaria o Capitão Nascimento. Deu-nos o livre-arbítrio para tornar nossas vidas um pouco menos monótona, para que cada um decida o que é melhor para si e, mais que isso, para que a gente nunca se entenda – ou passe a vida tentando se entender.

Deus não determina. Deixa o circo pegar fogo.

Pense bem: se Deus fosse um cara legal, não teria permitido que a gente inventasse a propaganda eleitoral gratuita, nem deixaria a Geisy Arruda usar aquele vestido rosa.

Dizem os devotos que Deus quer que a gente ame o próximo como a nós mesmos. E para nos obrigar a amar o próximo como a nós mesmos, os devotos fazem do ódio e da intolerância as suas principais "armas".

Contrários ao aborto, ao casamento gay, à evolução das espécies, os devotos são capazes de “lutar pela vida” até a morte – a morte dos outros, claro!

Deus é perigoso. Mesmo invisível – ou justamente por ser invisível – assombra-nos com sua onipresença. Em nome Dele, de sua suposta e improvável existência, quantas barbaridades cometemos?

Deus é perigoso. Mais perigoso ainda quando seu nome é usado em vão por políticos que se ajoelham ao Pai Nosso, enquanto "vendem a alma ao Diabo" a preço de banana.

Será que vale tudo pelo poder? Será que Deus perdoará tamanha ofensa?

Só Deus sabe.

Um comentário:

  1. Se Deus fosse um cara legal, não deixaria tantos absurdos acontecerem todos os dias. E como as pessoas têm a mania chata de colocar Deus no meio de tudo, né.
    Bom texto, Marcos! Beijão!

    ResponderExcluir