sábado, 16 de outubro de 2010

Foi bom enquanto durou

Raul Seixas

Já que eu não posso achar o Paul McCartney irrelevante (pelo menos para mim), vou escrever sobre o João – o João e seu violão.

Todo sábado, o João ocupa uma das mesas de um boteco aqui perto de casa e passa a tarde inteira tocando Raul.

Já pedi para o João tocar outra coisa. Ele diz que “Raul é suficiente”, que o resto não lhe interessa. E tome “Al Capone”, “Gita”, “Metamorfose Ambulante”, "Medo da Chuva" e etceteras do “maluco beleza”.

Para o João, o mundo acabou em 1989, com a morte do seu grande ídolo. “Único e insubstituível”, segundo ele. Nada que veio depois presta.

Para o João, Raul lhe basta.

Até invejo a paixão incondicional do João pela obra do Raul. É de uma lealdade admirável. Eu, ao contrário dele, tenho alma volúvel, instável, vagabunda. Sou capaz de trocar de “ídolo” como quem troca de cueca.

Bandas que embalaram minhas “jovens tardes de domingo” hoje não me dizem nada. Faz séculos que não ouço The Smiths, Joy Division, The Clash, The Doors, U2, Led Zeppelin, Velvet Underground e outros sons que curtia anos e anos atrás.

Na verdade, acho que nunca mais colocarei canções dessas bandas para rodar no meu iPod. Foi bom enquanto durou. Agora é bola pra frente.

Admiro alguns artistas, mas não me considero fã de nenhum deles. Não compro disco, não vou a show, não estou nem aí para o que eles fazem ou deixam de fazer.

Para mim, música é momento e surpresa. Se determinado artista me agrada com um trabalho novo, independente de que geração ou estilo seja, prometo lealdade até a semana que vem, quando provavelmente o substituirei por outro.

Sou assim. Fazer o quê?

Um amigo, para criticar o anacronismo de alguém, costuma dizer o seguinte: "Ele ainda ouve Maria Bethânia". É isso. Ouvi Bethânia durante bom tempo e a respeito. Mas sua música não me interessa mais. 

Prefiro seguir em frente.

2 comentários:

  1. Olá,
    Engraçado que as bandas que ouvia coincidem muito com meus antigos gostos também. Ainda consegue ouvir Pink Floyd? Mas na altura, ouvi-os meses a fio. João tem uma maneira simples de fazer música complicada com sua sincope "des-sincopada". Ah, e sou louco por Tom Zé.
    1 abraço

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  2. É bom ter fases até pra música. Também enjôo das que escuto, fácil, fácil. Principalmente, depois que descobri boas rádios online. Ainda conservo uma ou outra banda, mas só compraria um CD se valesse muito a pena. Show já não posso ir, pois alguns cantores que curto estão mortos.

    Boas músicas pra você aí!
    Beijos!

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