segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Gay contra gay

Arouche, região gay de SP

Se fizessem uma pesquisa com gays masculinos perguntando o que eles mais apreciam em um pretendente, aposto que o tamanho do pau apareceria em primeiro lugar. Isso se todos fossem honestos na resposta, claro. Basta entrar em sites ou chats dirigidos ao público homossexual para perceber que ali tudo gira em torno das dimensões do pênis. Não à toa, misóginos e homofóbicos costumam dizer que “quem gosta de pau é viado, mulher gosta de dinheiro”.

Se na mesma pesquisa perguntassem se o entrevistado é ativo (o que come) ou passivo (o que dá), aposto uma barra de chocolate que a maioria responderia ATIVO, em maiúsculas, para não deixar dúvidas sobre a sua posição preferida na cama. Gays ativos, por mais absurdo que pareça, acham que são “menos gays” porque são os “comedores”.

É por isso que tem muito “heterossexual” por aí que mantém relações homossexuais e continuam a se declarar “heterossexuais”. A “masculinidade”, para essas bichas não declaradas, está na “proteção” quase militar do tal orifício circular corrugado. Ali, com exceção do urologista durante um possível exame de próstata, ninguém mexe. E, assim, seguindo essa falsa noção de macheza, acreditam que “preservam a virilidade”.

A pesquisa também poderia perguntar quais os tipos físicos menos atraentes no universo gay. Aposto outra barra de chocolate que a maioria apontaria o dedo para os gordos, os velhos, os mal-vestidos e os barrigudos como “personas non grata”. Gays brancos-ativos-pintudos-anabolizados-de-grife não suportam serem confundidos com gays gordos-passivos-de-pinto-pequeno-mal-vestidos.

A militância gay fala muito em diversidade, respeito às diferenças, direitos iguais. Mas é notória a tensão existente dentro do próprio mundinho gay, onde excluir, discriminar, debochar do outro revela o quanto somos “espelho” daqueles que combatemos por insistirem em nos rejeitar. Se é difícil entender o preconceito dos “forasteiros”, de pessoas que não aceitam a homossexualidade como uma variação normal da expressão sexual do ser humano, como entender o preconceito do gay contra o gay?

3 comentários:

  1. Só para reforçar minha admiração pelo seu talento e habilidade criativa absurda com as letras.
    Perfeito post.

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  2. em todas as rodas -politizadas-da comunidade LBGT essa questão é colocada. o preconceito do gay contra o próprio gay é real e dilacerante. pode ser com o gay gordo, velho, de pinto pequeno ou, simplesmente, com o gay afeminado, afetado, bichinha como muitos gostam de classificar. enquanto os homossexuais não despertarem de fato para esse preconceito "interno" vai ser difícil conquistar o respeito integral entre heteros e militância gay. vai ser fácil? duvido muito. não se muda um padrão de comportamento tão rápido assim.mas a discussão está posta e é urgente.
    lembro da 1a. vez que entrei em uma boate gay com frequencia acima dos 40 anos.fiquei feliz de saber que existia vida e alegria para quem não se enquadrava no "go go boys way of life". essa é a diversidade que interessa. o resto é cover.

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  3. Seus textos sempre me fazem pensar e me divertem! Muito bom esse também!
    Realmente, não acho o homossexualismo nada de mais, mas é difícil entender que ainda há um preconceito desse tamanho! É uma hipocrisia defender a diversidade, mas continuar excluindo quem possui a mesma opção sexual. Assunto polêmico, interessante :)
    Beijão pra você, Marcos! =****

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