quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A imprensa gay e suas "medidas perfeitas"

Imagem revista "Butt"

No Twitter, @misspratinha indicou o link do texto escrito por Fernando Barros e publicado no site Observatório de Imprensa. Intitulado “Será que ela é?”, o artigo discorre sobre as revistas brasileiras com temática gay. Em um dos trechos, o autor avalia:

“É como se essas revistas construíssem um gay que preenche todos os requisitos, mas que pede licença para ser homossexual. A própria preferência por pautas mais amenas e a rejeição de tipos homossexuais variados revelam o quanto elas estão viciadas e afeitas às convenções. De tal modo esta imprensa tem se apresentado heterossexualizada que parece caber a pergunta: será que ela é?”

No texto, Fernando Barros cita as duas mais conhecidas publicações gays em circulação no Brasil: “G Magazine” e “Junior”.

O autor tem razão. É realmente frustrante observar como a imprensa gay brasileira é anacrônica e bundona.

Ou você acha que mostrar homens pelados (geralmente brancos e jovens), de pau duro, em ensaios fotográficos capengas tem algo de “transgressor” ou “provocativo”?

Não, não tem. É apenas “mais do mesmo”, repetição preguiçosa e desinteressante do modelo padrão de putaria higienizada, “saudável”, de “medidas perfeitas” – e, o que é pior: completamente assexualizada.

Me admira que algum gay com cérebro ativo consuma essas publicações de merda.

Para efeito de comparação e para quem acredita que o Brasil é um país “moderno”, peço a sua atenção para a revista “Butt”.

Mistura de fanzine com revista, a “Butt”, desde a sua primeira edição, em 2001, é publicada em papel rosa. Papel bem vagabundo. O layout é de uma simplicidade ultrajante. Mas o conteúdo é de arrasar! Na “Butt”, não há segregação de nenhum tipo. Todos os tipos são permitidos: gordos, peludos, feios, bonitos, de pau pequeno, de pau grande, barrigudos, com a bunda caída, bigodudos, barbudos, carecas, famosos e anônimos.

É uma revista corajosa, sem preconceito, como deveria ser toda publicação dirigida ao público gay. Afinal, não são os gays que rebolam tanto por “direitos iguais”?

Falta à imprensa gay brasileira inteligência para romper com estereótipos que impedem os homossexuais de escaparem dessa cultura ultrapassada e careta de anabolizantes e corpos heterossexualizados. 

2 comentários:

  1. Imprensa Gay? É risível como tratam o tema: Apenas como um nicho mercadológico asséptico e sem conteúdo.

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  2. Brasil um país "muderno".... só se for.

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