quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A invenção da pornografia

[Especial Pornografia - parte 1]

Do jeito que as coisas estão, com o sexo sendo mostrado de modo cada vez mais explícito, pode parecer que somos mais libertinos do que nossos antepassados. Deslavada mentira. A pornografia não é invenção nossa. Vem de longe a safadeza humana. Gregos e romanos que o digam! E para que você não pense que exagero, um exemplo didático: na Grécia de 2.500 anos atrás, famílias inteiras saíam às ruas erguendo peças fálicas como se fossem imagens sagradas e cantando hinos recheados de palavrões cabeludos. Homenagem a algum “deus” da fertilidade? Que nada! Luxúria mesmo!

Ao pesquisar o tema, descobre-se o óbvio: os prazeres da carne sempre estiveram entre os mais cobiçados por homens e mulheres de todas as épocas. A Igreja até tentou – e ainda tenta – castrar os tarados, excomungando-os, mandando-os à fogueira. Diz a fé católica que entregar-se à libertinagem afasta o cristão da redenção espiritual. Pode até ser, mas entre quatro paredes quem vai saber, né? 

De todo modo, a Igreja, na sua raivosa cruzada em nome da moral e dos bons costumes, acabou por assombrar boa parte do seu rebanho. Embora estejamos rodeados de pornografia por todos os lados, diferentemente da transparência erótica de gregos e romanos, tentamos disfarçar o nosso desejo de devassidão. Puritanos de araque, vivemos vida dupla: entre segredos de alcova e castidade pública.

A história da pornografia é pontuada por momentos de tolerância e censura. Na Grécia Antiga valia tudo e, entre os romanos, até orgias em banhos públicos eram permitidos. No início da Idade Média e, posteriormente, com o estabelecimento da malfadada Inquisição, a situação ficou complicada para os “degenerados sexuais”. O italiano Giovanni Boccaccio até tentou burlar o cerco com a obra “Decameron”. Foi escorraçado. 

Só por volta do século 15, já no Renascimento, houve certo afrouxamento do poder católico. E, cerca de trezentos anos depois, na França, surgiram os primeiros libertinos: artistas e intelectuais que defendiam com muita sem-vergonhice a liberdade sexual. Foi nessa época que apareceu o mais libertino de todos: o Marques de Sade – e sua literatura pornô-filosófica.

As invenções da fotografia e das máquinas de impressão fizeram um bem danado à pornografia. Ali na metade do século 19, a produção em série de fotos de modelos nuas e livros ilustrados com cenas eróticas barateou e impulsionou o mercado da safadeza, e fez pipocar nas principais cidades do mundo dezenas de publicações do gênero. Aí veio o cinema e o sexo ganhou movimento. Tempos depois, o videocassete levou as produções chamadas “x-rated” para dentro da casa das pessoas. 

Atualmente, a internet é a principal “ferramenta” para a disseminação da pornografia – com milhares de sites para as mais diferentes taras. E com uma vantagem notável: qualquer um pode produzir fotos e filmes com alto teor pornográfico e espalhar pela rede mundial de computadores como bem entender. Assim, a sacanagem segue a sua evolução. 

[Especial Pornografia]
Parte 1 - A Invenção da Pornografia
Parte 2 - Sexo na Grécia Antiga
Parte 3 - Orgias Romanas
Parte 4 - Idade Média e Casta
Parte 5 - Os Libertinos
Parte 6 - A Nudez e a Fotografia
Parte 7 - Sexo em Movimento

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