segunda-feira, 25 de outubro de 2010

No consultório médico

Carl Elliot

Tomar remédio é uma merda! No momento, “enveneno” meu corpo com três: Êxodus (para depressão), Betaserc (para labirintite) e Omeprazol (para gastrite).

Ser médico, hoje, é molezinha. Você marca consulta, diz o que está “doendo”, o médico solicita alguns exames, analisa os exames e receita os remédios necessários para curá-lo. Fim da consulta.

Esse “fast-food” clínico me incomoda um pouco. Por isso, chamou minha atenção a entrevista de Carl Elliot para a “Folha”. Elliot é professor de bioética na Universidade de Minnesota e autor de um livro que expõe o “lado negro” da medicina: “White Coat, Black Hat – Adventures on the Dark Side of Medicine” (jaleco branco, chapéu preto: aventuras no lado negro da medicina).

Veja o que fala Elliot sobre a indústria farmacêutica:

Drogas para o mercado
A penicilina não foi desenvolvida por uma indústria. Alexander Fleming a desenvolveu no St. Mary's Hospital, em Londres. E o trabalho crucial para a insulina foi feito na Universidade de Toronto. O problema hoje é que temos um sistema de desenvolvimento de drogas orientado para o mercado e não para as coisas que as pessoas doentes precisam.

Cobaias humanas
A maioria dos medicamentos ainda é testada em pessoas pobres, especialmente nos estágios iniciais. Muitas pessoas não iriam se voluntariar para tomar remédios não testados, durante três semanas, sem receber pagamento. Esses voluntários são pessoas que precisam desesperadamente de dinheiro.

“Brindes” para médicos
Propina é propina, mesmo se é recebida a céu aberto. A solução é eliminar os pagamentos, tal como fizemos com juízes, jornalistas e policiais. Médicos nunca pensam que são influenciados por dinheiro ou presentes. Mas temos dados mostrando que eles são, sim. Conversei com um representante de laboratório que construiu uma piscina para um médico só para levá-lo a prescrever mais receitas. Como alguém justifica isso?

Enganação
Meu interesse é no que tem de errado. Construímos um sistema médico em que o ato de enganar não é apenas tolerado, mas recompensado.

Putz! Estamos nas mãos de bandidos?

Leia entrevista completa com Carl Elliot aqui (para assinantes Folha ou UOL).

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