terça-feira, 5 de outubro de 2010

O aborto

"Eu decido"

Será verdade que a defesa da descriminalização do aborto pode “custar a Presidência da República” a Dilma, como afirmou a senadora eleita Gleisi Hoffmann, do PT do Paraná?

Será que foram mesmo os votos dos religiosos anti-aborto (eleitores da Marina) que levaram a disputa presidencial para o segundo turno?

Será que os eleitores são ingênuos ao ponto de transformarem a questão do aborto em tema central de uma eleição presidencial?

Ora, que discussão descabida é essa?

Há questões bem mais urgentes para serem debatidas pelos presidenciáveis do que “a pílula do dia seguinte” e outros métodos contraceptivos excomungados pelos religiosos.

Ou será que você acha que ser a favor ou contra o aborto é suficiente para definir se um candidato será ou não um bom presidente da República?

Sim, sou a favor do aborto. E acho que deve ser descriminalizado. Assim como a maconha. No meu estreito entendimento das coisas, quanto menos leis proibitivas houver, mais livres seremos para quebrar a cara e aprender com nossos erros.

Não preciso que o Estado nem a igreja nem o síndico do prédio onde moro imponham limites ao que devo ou não fazer da minha vida. Sou maior de idade e sempre assumi as consequências das minhas cagadas.

Quem é a favor do aborto não é um monstro. Dilma não é um monstro por defender a legalização da prática. É apenas um posicionamento político, de liberdade de escolha e baseado no princípio de saúde pública. Quantas mulheres no Brasil morrem ao abortar em clínicas clandestinas? Temos que pensar nisso. E se os religiosos são contra o aborto, ok, não façam, mas deixem os não-religiosos decidirem o que é melhor para eles.

Se o Serra, que agora se diz “do bem”, usar a questão do aborto para atacar Dilma, mostrará que não merece ser presidente nem de grêmio recreativo.

Por enquanto, que tal deixarmos esses assuntos polêmicos de lado? 

Assunto polêmico em campanha eleitoral só serve à extrema-direita, que faz dessas discussões fora de hora modo de sabotar o processo, desviando a atenção dos temas que realmente interessam.

Em tempo, não voto nem em Dilma nem em Serra. Voto ZERO. 

Um comentário:

  1. Questão crucial: "E se os religiosos são contra o aborto, ok, não façam, mas deixem os não-religiosos decidirem o que é melhor para eles". Se os evangélicos vivenciassem seus posicionamentos e não os forçassem goela abaixo dos não crentes tudo seria mais fácil e correto.

    ResponderExcluir