quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O porta-batom e os carros de mulherzinha

Porta-batom do Twingo Miss Sixty

Está rolando em São Paulo o Salão Internacional do Automóvel: ponto de encontro de machos peludos com testosterona subindo pelos testículos, idiotizados e excitados com as novidades high-tech da indústria automobilística.

Baba, otário, você nunca vai ter uma Lamborghini para pegar mulher “montado” em 570 cavalos de potência!

Conforme-se em poluir ainda mais o planeta e congestionar ainda mais o trânsito com seu modesto e fracote Fiesta 1.0.

Mas a indústria do automóvel não é boba. Sabe que as mulheres, depois de queimar sutiãs e aprender a gozar, também passaram a frequentar esses antigos redutos masculinos e, de olho nos modos & manias femininos, investem cada vez mais em modelos elaborados exclusivamente para elas.

Mas, peraí! Existe carro de mulher e carro de homem?

Sim. Existe. Pelo menos é isso que pensa a francesa Renault, com os lançamentos do Twingo Miss Sixty, em Paris, e do Sandero Stepway Concept, em São Paulo.

Eu, se fosse mulher, arrancaria o megahair de raiva com o jeito afrescalhado, “sensível” (e sexista?) que a Renault enxerga o público feminino.

Por que o carro é cor de rosa?
Por que o carro tem motivos florais na lataria?
Por que os bancos têm detalhes em cristal e revestimento de cetim dourado?
Para que tantos porta-trecos?

Ok, mulheres e cacarecos são inseparáveis. Basta vasculhar qualquer bolsa feminina para comprovar a necessidade compulsiva das garotas por “itens de primeiros socorros”: estojo de maquiagem, batom, lencinhos de papel, lixa de unha, escova de cabelos e eteceteras incompreensíveis para varões desconjuntados como eu.

No Twingo Miss Sixty tem porta-batom. No Sandero Stepway Concept tem lugar para guardar sapatos e 24 porta-trecos.

Arrisco um palpite: esses carros não são idealizados para mulheres, mas para um segmento específico dentro do vasto universo feminino: o das patricinhas ou “barbies” ou dasluzetes à toa que ignoram a serventia do estepe.

É carro de mulherzinha. E acho que nem toda mulher está a fim de circular por aí expondo o seu lado Penélope Charmosa num automóvel que simboliza, acima de tudo, a suposta futilidade do “sexo frágil”.

Entendo a preferência feminina por carros com linhas mais arredondadas e delicadas. Até aí nada demais. Afinal, “homens são de Marte, mulheres são de Vênus”. Mas essa separação explícita e burlesca entre o que seria masculino (robusto) e o que seria feminino (meigo) não é corroborar com séculos de discriminação de gênero?

Além de seduzir meninas ingênuas de faces rosadas, qual a real utilidade de um porta-batom no carro?

Resposta: manter as mulheres no lugar delas.

Um comentário:

  1. Tão insuportável quanto a questão de gêneros até no quesito automobilístico, é aquela mulher que se acha independente porque dirige e, então, estaria exercendo um papel "socialmente masculino". Pode ser preconceito, mas as mulheres ainda fazem muitas besterias no trânsito. Não me arrisco a dirigir por aqui, porque não gosto e porque "sempre terá alguém pra fazer isso".
    Vi as fotos dos carros e não curti. Não compraria. Só serviu pra salientar as diferenças.

    Bom texto, Marcos!
    Beijos!

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