quarta-feira, 20 de outubro de 2010

O U2 deixou de me interessar em 1997

U2

10 de dezembro de 1993. Atravessei o Japão para assistir ao show do U2. Saí de Akechi, cidade onde morava, baldeei em Ena, desembarquei em Nagoya, subi no trem-bala, desci em Tóquio, me perdi no confuso metrô da capital japonesa e, enfim, cheguei ao Tokyo Dome, arena onde aconteceria a apresentação. Fui sozinho, com uma mochila nas costas e aquela vontade boba de ver os irlandeses ao vivo pela primeira vez.

O U2 vinha de dois discos maravilhosos: “Zooropa” (1993) e “Achtung Baby” (1991). A banda viajava com a turnê “Zoo TV”, aquela cheia de monitores de TV no palco, e o show em Tóquio encerraria dois anos de apresentações pelo mundo.

Madonna, acompanhada de dois seguranças brutamontes, assistiu ao show bem perto de mim. Numa área reservada, logo atrás de onde eu estava. A “material girl” chegou no escuro, depois do início da apresentação, e saiu no escuro, antes de o U2 tocar a última canção. Eu a vi chegar e sair porque concertos no Japão têm lugares marcados, sem empurra-empurra e com espaço suficiente para você observar o que acontece ao seu redor. Madonna estava ali porque se apresentaria em seguida no mesmo Tokyo Dome, acho que com a turnê “The Girlie Show”.

De volta ao Brasil, vi outra apresentação do U2, no Morumbi, com a Popmart Tour. Para minha alegria, na noite em que eu estava lá, a banda tocou “Bad”, a mais linda canção a embalar as minhas choradeiras juvenis ao lado de “The Killing Moon”, do Echo and The Bunnymen, e outras tantas.

De repente, ploft!, o U2 deixou de me interessar. A partir do disco “Pop” (1997), passei a ignorar completamente os irlandeses. Depois daquele show no Morumbi, nunca mais cogitei sair de casa para vê-los outra vez. O Bono ampliou seu discurso político, virou militante da causa africana, chateou. O U2 envelheceu. Eu envelheci. E a gente não se entende mais.

Hoje, acho o U2 um porre. Não suporto a voz do Bono, o discurso do Bono, nem os timbres de guitarra do The Edge. Enjoei. E não sei assoviar uma canção sequer de “No Line on the Horizon”, último trabalho da banda, lançado em 2009.

Em outro post, chamado Foi Bom Enquanto Durou, falo desse meu total desapego aos “ídolos”. Sou do tipo que “cospe no prato que comeu”. O U2 foi importante em determinado período da minha vida, mas o prazo de validade da banda venceu quando eu percebi que havia coisas novas, mais interessantes e criativas, para ouvir. Descobri que a gente evolui e nem sempre a banda que a gente gosta evolui junto.

A maioria, como o U2, perde o sentido, "engorda", repete-se.

Escrevo este post porque a banda volta a tocar no Brasil em 2011. Já consigo imaginar fãs acampados na frente do estádio do Morumbi para conseguir lugar próximo ao palco e celulares "acesos" durante o coro do público na execução de “With or Without You”.

Ai, ai, de que ano é essa música mesmo? 

2 comentários:

  1. Parei no Zooropa, o melhor de todos pra mim, como Desintegration do Cure, o último tb! Bjos

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  2. Nunca gostei. Na verdade, sempre detestei a voz e a postura do Bono, as músicas messiânicas. Mas podia ser pior: podia ser Legião Urbana, rsrsrs, uma das coisas que considero mais musicalmente repulsivas que já tive o trauma de ouvir em vida.

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