sexta-feira, 22 de outubro de 2010

O urso Knut e a dor da rejeição

O urso polar Knut no zoológico Tiergarten, em Berlim

Quem nunca se sentiu como Knut, o urso polar que vive em um zoológico de Berlim?

Knut, ao nascer, foi rejeitado pela mãe, fato que comoveu o mundo ao ser noticiado pela imprensa internacional. Hoje, com quase quatro anos, é mais uma vez recusado. Agora, por três ursas que dividem com ele um cercado no zoológico. Nancy, Tosca e Katyusha ameaçam Knut com mordidas e empurrões.

Desamparado, o urso passa a maior parte do tempo isolado.

Rejeição é recusa. Pior: é repulsa. Posso imaginar o sofrimento do incompreendido Knut. Ninguém aceita na boa ser rejeitado, nem os ursos. Rejeição dói mais que soco no estômago, pimenta nos olhos, chute no saco, pé na bunda.

Ser rejeitado é ser o único a não ser convidado para uma festa. É falar e ninguém ouvir o que você tem pra dizer. É pedir licença e o outro simplesmente ignorá-lo. É ser interrompido por um “não” antes de finalizar a primeira frase. É ninguém sentir a sua falta. É não fazer a mínima diferença. É viver sendo apontado como “esquisito”, “arrogante”, “antipático”, “babaca”, “coitado”.

Bulliyng é rejeição. Virar as costas no meio de uma conversa é rejeição. Não dar “bom dia” ao porteiro do seu prédio é rejeição. Furar fila é rejeição. Falar alto em espaços públicos é rejeição. Esbarrar em alguém sem pedir desculpas é rejeição.

E a rejeição pode causar um estrago danado na confiança de qualquer pessoa que esteja menos preparada para enfrentar a maldade alheia. Sim, somos cruéis com quem não corresponde às nossas expectativas, com quem é diferente de nós, com quem nos incomoda apenas por existir. E nem percebemos o quanto podemos estar equivocados no nosso sempre apressado julgamento.

Dificuldade de relacionamento todos temos. Confesso que não é moleza aceitar com paciência zen-budista aquele indivíduo prepotente que insiste em “roubar” o meu espaço. A “perua” lipoaspirada que se livrou das gorduras extras, mas continua com “o rei na barriga”. Ou o sujeito ranzinza e reclamão que parece odiar o mundo.

Mas, assim como acontece com Knut, nem sempre há razões claras para a rejeição. Muitas vezes, repudiamos o outro apenas por arrogância. Achamos que somos melhores, mais bonitos, mais “descolados”, mais poderosos, mais interessantes, mais competentes, mais sadios. E, sem avaliar a dor que podemos estar causando aos rejeitados, agimos com a indiferença das ursas Nancy, Tosca e Katyusha.

Se a história de Knut o emociona, que tal também olhar com afeto para quem deseja apenas um pouquinho da sua atenção para ser feliz?

Em tempo: zoológico não é entretenimento; é centro de tortura (para os animais). 

4 comentários:

  1. Assunto muito pertinente ;)

    E a vontade que tenho é de trazer esse ursinho pra casa e dar muito carinho. Com pessoas rejeitadas, a mesma coisa. Só quem já foi excluído sabe como dói. Mas, também, sabe como cuidar =)

    Beijão pra você!

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  2. Eu acho que atenção não se ganha, se conquista.

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  3. Acredito que na Alemãnha,uma pais que Ama os animais,irá resolver esta questão!

    Agora quanto a seres humanos precisamos aceitar mais....amar mais...olhar as pessoas como elas são!

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  4. Puxa... acho que já rejeitei alguns ursinhos pela vida afora.
    E fui rejeitada, também,..... por ursos

    ( não anônima... mas patética)

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