quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Orgias romanas

[Especial Pornografia - parte 3]

A Vênus de Willendorf, encontrada em 1908 na cidade austríaca de mesmo nome, é o registro mais antigo de um objeto representando o nu. Esculpida em calcário por volta do ano 30.000 a.C., a peça é a representação de uma mulher com aparência nada sensual. Pelo menos para os padrões de hoje, quando a beleza feminina atingiu certo nível de magreza que beira a anorexia. A ninfa pré-histórica de Willendorf tem peitos e quadris enormes, barriga protuberante e lábios grossos. Outras peças arqueológicas do mesmo período seguem padrão idêntico, com formas sempre exageradas. Estudiosos acreditam que essas esculturas eram usadas como objetos de culto.

Ao longo da história, a humanidade sempre usou eufemismos religiosos para disfarçar suas mais secretas taras. Ritos de adoração a deuses e deusas da fertilidade são comuns na cultura de vários povos. No Japão, por exemplo, há o Templo Tagata (ou Templo do Pênis Grande), dedicado a um suposto “deus” capaz de curar e trazer prosperidade. Casais que não conseguem ter filhos buscam ajuda ali. Os romanos, por iniciativa do imperador Augusto, que governou entre 27 a.C. e 14 d.C., costumavam deixar textos pornográficos nas paredes do templo de Príapo, o deus da virilidade.

Com o tempo, o homem foi deixando os subterfúgios religiosos e místicos de lado, e a pornografia começou a aparecer de modo mais escancarado. Famosos pelas orgias em banhos públicos, os romanos tinham o extravagante hábito de decorar suas casas com esculturas eróticas e outros objetos em forma de falo – o pênis ereto era considerado símbolo de sorte. Nos muros de Pompéia, arqueólogos encontraram grafites com frases obscenas e desenhos de sacanagem. Assista ao filme “Calígula” (1980), dirigido por Tinto Brass e Bob Guccione, o criador da revista “Penthouse”, e confira a bacanal que era o Império Romano na época em que foi comandado pelo mais louco dos seus líderes, o pervertido Calígula, interpretado no filme por Malcolm McDowell.

Entre os romanos, havia até um escritor especializado em vida sexual. Ovídio, autor de “Ars Amatoria” (“A Arte de Amar”), foi um dos precursores da sexologia de botequim. Foi ele um dos primeiros a elaborar um guia do sexo em Roma. Do mesmo modo que é feito hoje por dezenas de revistas masculinas e femininas, o escritor romano dava dicas sobre sexo para homens e mulheres: onde encontrar parceiros, como abordá-los e também como satisfazê-los. Minucioso e experiente na arte da licenciosidade, Ovídio chegava a sugerir como um amante deve fazer para aumentar o prazer do outro. Um sucesso editorial!

Kama Sutra

No mesmo período de Ovídio e seu “Ars Amatoria” aparecia no Oriente distante um livro que, mais tarde, se transformaria na grande estrela da literatura pornográfica de todos os tempos: o “Kama Sutra”. Escrita na Índia no século 2 d.C., a cultuada obra do religioso Vatsyayana Mallanaga é uma seleção de textos milenares sobre sexo, ilustrada com mais de 500 desenhos representando posições sexuais. No livro, o estudioso indiano faz uma defesa apaixonada da liberdade sexual. Para ele, o sexo faz parte da criação divina e, por isso, precisa ser venerado e praticado.

O “Kama Sutra” é considerado por muitos um importante documento sobre a história da sexualidade humana. Por outros, nada mais do que pornografia. O livro instrui os amantes na arte da sedução, em como cortejar, como conduzir uma discussão com o parceiro, diversas técnicas de beijo, entre muitas outras saudáveis sem-vergonhices. Em 1883, o livro foi traduzido e adaptado para o Ocidente pelo linguista inglês Richard Francis Burton, que, devido aos costumes vitorianos da época, substituiu a linguagem direta e explícita dos textos originais por floreios e descrições, digamos, mais poéticas. 

[Especial Pornografia]
Parte 1 - A Invenção da Pornografia
Parte 2 - Sexo na Grécia Antiga
Parte 3 - Orgias Romanas
Parte 4 - Idade Média e Casta
Parte 5 - Os Libertinos
Parte 6 - A Nudez e a Fotografia
Parte 7 - Sexo em Movimento

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