quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os libertinos

[Especial Pornografia - parte 5]

Foi na França, em meados do século 18, que surgiram os primeiros libertinos: artistas e intelectuais que defendiam na prática a liberdade sexual. Com um pé na política e o outro na sacanagem, esses “pensadores pervertidos” faziam parte de organizações secretas, chamadas adequadamente de “Promoção do Vício”, “Clube do Fogo do Inferno” ou “Ordem Hermafrodita”. Em suas reuniões, os libertinos promoviam leituras ou encenações de livros eróticos que, invariavelmente, terminavam em orgias. Estima-se que, na época, a França tinha mais de cem desses clubes – muitos com até 400 integrantes.

Alguns dos membros desses clubes de orgia acabaram aderindo ao pensamento iluminista – o mesmo que lutaria pelo fim da monarquia absolutista na Revolução Francesa. Outros se transformaram em autores que atacavam com fúria a nobreza e a moral religiosa.

Exemplo de um livro erótico lançado no período é “O Sofá”, do francês Crébillon Fils, autor que, depois de frequentar salões e bailes da alta sociedade da época, não demorou a retratar tais ambientes em seus textos libertinos. Por causa deles, foi aprisionado durante algum tempo na Bastilha. 

Na trama de “O Sofá”, o personagem principal é condenado por decreto divino a reencarnar sucessivas vezes no papel de sofá, tendo que dar apoio e sustentar, literalmente, a diversos tipos de aventuras amorosas e sexuais. De quebra, compartilha com os leitores as mais variadas histórias de sacanagem, além de desmascarar a falsa virtude, a hipocrisia, o instinto, a vaidade, a fantasia e outros tantos vícios humanos. Ao lado de “Teresa Filosofa”, de Boyer D’Argens, “O Sofá” é um dos mais importantes clássicos libertinos do século 18.

Foi nesse mesmo período que surgiu o escritor que se tornaria um dos maiores ícones da pornografia: Donatien-Alphonse-François, o Marquês de Sade. Nascido em 1740, o nobre francês se casou aos 23 anos, mas acabou se apaixonando pela empregada da casa, Juliette. Quando a moça morreu, o Marquês se entregou de corpo e alma à libertinagem nos clubes secretos. Em um deles, experimentou os prazeres do que mais tarde seria conhecido como sadismo – prática que acrescenta certa brutalidade ao sexo e do qual o Marquês parece ter sido adepto convicto.

Acusado de estuprar e açoitar uma mulher e de participar de orgias com flagelações, o Marquês foi preso. Durante o cárcere, escreveu suas obras mais conhecidas: “Os 120 dias de Sodoma” e “Os crimes de amor”. Outro livro do escritor bastante celebrado é “A Filosofia na Alcova”, em que o autor narra com linguagem direta e explícita como dois libertinos atuam na educação sexual da bela Eugénie de Mistival, de apenas 16 anos. 

A turbulenta história do Marquês de Sade foi levada para o cinema em 2000, por Philip Kaufman, no filme “Contos Proibidos do Marquês de Sade”. No elenco: Geoffrey Rush, Joaquin Phoenix, Kate Winslet e Michael Caine. O escritor acabou morrendo em um hospício – final bastante comum entre os pornógrafos do passado. 

[Especial Pornografia]
Parte 1 - A Invenção da Pornografia
Parte 2 - Sexo na Grécia Antiga
Parte 3 - Orgias Romanas
Parte 4 - Idade Média e Casta
Parte 5 - Os Libertinos
Parte 6 - A Nudez e a Fotografia
Parte 7 - Sexo em Movimento

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