sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Retrato do artista quando jovem

Larissa Riquelme

Vou contar um caso que aconteceu algum tempo atrás. É sobre um jovem artista plástico hypado no Brasil e lá fora. Não vou revelar o nome. Mas me impressiona como são chatos/arrogantes/inacessíveis alguns artistas novos que se acham mais importantes do que realmente são.

Para liberar a publicação de imagens de sua obra, o jovem artista exigiu ler o texto sobre ele antes. Não costumamos fazer isso, mas decidimos concordar. Ele recusou o primeiro. Recusou o segundo. Enfim, recusou a terceira versão. Resolvemos recusá-lo também e deletá-lo da edição. Há momentos na vida em que precisamos mandar à merda aqueles que nos tratam como inferiores.

Veja só: o texto era elogioso. Falava bem da obra do cara. Até hoje não entendo o que o incomodou tanto. Concluo que seja pura empáfia de quem conquistou certa fama e passou a acreditar que tem o mundo a seus pés.

Sinal dos tempos: na “sociedade do espetáculo”, qualquer jovenzinho imbecil que estreia em “Malhação” ou participa de um reality show ou consegue expor seu trabalho numa galeria obscura de Nova York contrata um batalhão de assessores para blindá-lo da imprensa e do assédio. Comporta-se como “diva”, mas esquece que caminhar no salto alto não é para principiantes.

Ser anônimo, hoje, é desagradável. Queremos ser reconhecidos na rua. Aplaudidos. Admirados. Perseguidos. E não importa por qual meio atingimos o “sucesso”. Se por competência profissional ou por oportunismo, como aconteceu com Geisy Arruda e com a paraguaia Larissa Riquelme.

Tornar-se famoso, numa sociedade que consome celebridades com voracidade insaciável, ficou bem mais fácil. Basta postar um vídeo absurdo na internet e pronto. Mas deixar a fama subir à cabeça, como parece ter ocorrido com o jovem artista citado neste texto, é acreditar na ilusão de que se é “imprescindível”. Pois saiba que ninguém o é. Logo outro vem para “roubar” o seu lugar. E isso é verdade não apenas entre famosos. Deste lado de cá, na vida que segue sem flashes, também somos substituíveis como pilha gasta e descartáveis como embalagem de pizza.

Manter os pés no chão é o melhor caminho. Se a casa cair, pelo menos estaremos preparados para começar de novo. 

Um comentário:

  1. Excelente texto!

    E quanto mais imbecis são suas atitudes, mais você fica famoso. Sempre há um forte tom de vulgaridade nelas. Ou você vai com um vestidinho curto para a faculdade e é xingada, ou fica conhecida por colocar um celular dentro da blusa.

    Enquanto tentamos trabalhar honestamente, há sempre alguém tirando proveito dessa fama injusta e ridícula.

    Ainda bem que celebridades também são descartáveis. A diferença é que, com qualquer deslize, você vira notícia novamente. O anonimato é sempre mais tranquilo.

    Beijos!!

    ResponderExcluir