sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Rick Martin é gay. E daí?

Ricky Martin

A última celebridade a aderir à comunidade GLS foi o cantor Ricky Martin. Enfim, o ex-Menudo resolveu “sair do armário”, como o fez George Michael, Elton John e alguns outros. As bichas comemoraram. As bichas sempre comemoram quando astros do cinema ou da música assumem que são gays.

Os homofóbicos reagiram com ironia, como se viu em vários comentários postados no Twitter. As fãs do cantor podem lamentar. Mas para os gays é sempre uma vitória quando pessoas públicas – artistas, políticos, esportistas – assumem a homossexualidade. Episódios assim, apesar das "piadinhas" fora de hora, fortalecem a militância, aumentam a visibilidade, contribuem com a causa.

Não acho, com isso, que as pessoas – públicas ou não – sejam obrigadas a revelar sua orientação sexual. Fala quem quer. Quem acredita que vai se sentir melhor “fora do armário”. Ricky Martin demorou anos para assumir. Devia ter seus motivos. Assim como muitos artistas, políticos e atletas brasileiros que insistem em negar o óbvio. Estão, claro, no direito deles, mas prestariam um bom serviço à sociedade se abrissem o jogo. Explico.

Lidar com a homossexualidade não é algo simples. Muitos jovens cometem suicídio. Outros, para camuflar a orientação sexual, casam-se com mulheres e, depois, passam a viver vida dupla e atormentada pela culpa. Revelações como a do cantor portorriquenho – pela influência que as celebridades costumam exercer sobre os anônimos –, podem ajudar os “indecisos” a se aceitarem como são. “Se o Ricky Martin é, por que não posso ser?”

Assumir-se gay é um processo doloroso. Não apenas para quem está definindo suas preferências sexuais, mas também para aqueles que estão ao seu redor. É momento crucial, que pode romper relações e causar traumas profundos. Ser homossexual, apesar da militância e da maior visibilidade, ainda não é algo que as pessoas encarem com naturalidade, principalmente em países atrasados como o Brasil. Se fosse, não estaria aqui escrevendo sobre o tema, nem a revelação de Ricky Martin causaria tanto barulho.

É por isso que quanto mais gente “sair do armário”, mais rápido chegaremos ao dia em que a homossexualidade deixará de ser motivo de chacota, escândalo ou vergonha. Afinal, como disse Cazuza certa vez, “não existe esse negócio de regra quando se fala de amor”. 

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