quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Sexo na Grécia Antiga

[Especial Pornografia - parte 2]

A palavra pornografia é de origem grega. Vem de “pornographos”, que, originalmente, significava “escritos sobre prostituição”. O termo apareceu pela primeira vez no livro “Diários de uma Cortesã”, em que o escritor grego Luciano narra histórias de prostitutas e orgias. Com o tempo, a palavra ganhou outros significados. De acordo com o Houaiss, pornografia é o mesmo que indecência, licenciosidade, obscenidade, libertinagem e imoralidade. Ou seja, tudo que não “engorda”, mas faz mal ao “espírito”.

Na Grécia Antiga, por volta de 2.500 anos atrás, Atenas foi a capital da sacanagem. Suas ruas eram enfeitadas com estátuas de corpos nus bem definidos (lembre-se: os gregos sempre exaltaram a beleza da anatomia humana) e os habitantes da histórica cidade adoravam admirar representações de sexo e nudez. Em casa, vasos e outros objetos de decoração eram adornados com cenas eróticas. E festas (ou melhor: orgias) faziam parte do roteiro de fim de semana. Ao que tudo indica, os gregos se divertiam – e muito!

Entre os helenos, a dedicação ao sexo era tanta que Aristófanes, em “Lisístrata”, ilustra com maestria essa tara do povo que inventou os Jogos Olímpicos e criou os conceitos de cidadania e democracia pelos prazeres mundanos. No livro, a personagem principal convoca as atenienses à greve de sexo enquanto durar a Guerra do Peloponeso. Aos berros, as insaciáveis mulheres de Atenas bradam palavras de ordem: “Não erguerei ao teto minhas sandálias persas” ou “Nenhum amante se aproximará de mim com ereção”. Já subindo pelas paredes, os bravos guerreiros gregos logo encerram o conflito em nome de um retorno urgente das atividades sexuais de suas parceiras.

Alguns registros indicam que foram os gregos que também inventaram o “dildo” – traduzindo: consolo, imitação do pênis – e acrescentam que a cidade de Mileto, terra natal do famoso Tales, considerado o primeiro filósofo grego, teria se transformado no maior centro produtor e exportador desse brinquedinho erótico. Nem uma coisa nem outra. 

Há um exemplar de “dildo”, que data de aproximadamente 4 mil anos e está exposto no Ancient Chinese Sex Culture Museum, próximo a Shangai, na China. Outro, encontrado na Alemanha, conta 28 mil anos, tem 20 cm de comprimento por 3 cm de diâmetro e, segundo os cientistas, deve ter sido usado para fins sexuais na longínqua Idade do Gelo. Hit número um em qualquer sex shop, o “dildo” usado por nossos ancestrais era feito de pedra, madeira ou couro acolchoado. Na hora de usá-lo, untava-se essa rudimentar imitação do órgão sexual masculino com azeite de oliva – a pré-história do gel lubrificante.

A liberdade sexual na Grécia Antiga também é notável no que se refere à homossexualidade. Sócrates, o filósofo do “sei que nada sei”, era adepto do amor homossexual como a mais alta forma de inspiração para homens bem-pensantes, e achava que o sexo heterossexual servia apenas para a reprodução. Acreditando que dois amantes, juntos, lutariam até a morte, o exército grego encorajava o alistamento de casais homossexuais. Os homens mais bonitos eram escolhidos para o comando.

Não foram os gregos que inventaram a pornografia. Eles apenas se deleitaram com ela. O hábito de experimentar e ver o que é “proibido” sobrevivem há mais de 30 mil anos, como indica o “dildo” encontrado na Alemanha. Afinal, de acordo com especialistas em assuntos de alcova, o impulso sexual faz parte da natureza humana. E quando o assunto é sexo, costumamos ser demasiadamente humanos. 

[Especial Pornografia]
Parte 1 - A Invenção da Pornografia
Parte 2 - Sexo na Grécia Antiga
Parte 3 - Orgias Romanas
Parte 4 - Idade Média e Casta
Parte 5 - Os Libertinos
Parte 6 - A Nudez e a Fotografia
Parte 7 - Sexo em Movimento

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