quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Somos todos bonitos!

Ausência de prazer

David Servan-Schreiber: “A depressão é definida, acima de tudo, pela ausência de prazer, mais do que pela tristeza.”

Fiquei pensando no que escreveu o autor do livro “Curar” e acrescento o seguinte: a depressão nos deixa em tal estado de lamentação que somos incapazes de reagir contra essa “ausência de prazer”. Por isso, nos tornamos pessoas tristes, com pensamentos obscuros e pessimistas que ficam girando incessantemente dentro de nossas cabeças.

É como se nós – os deprimidos – precisássemos confirmar a nós mesmos, a cada minuto, o quanto somos fracassados, impotentes, inadequados.

E dá-lhe autocrítica:

Jamais terei sucesso.
De qualquer maneira, não vale a pena tentar.
Não vai dar certo.
Eu sou feia.
Eu não sou inteligente.
Eu sou azarada.
Isso sempre acontece comigo.
Eu não tenho energia, força, coragem, ambição suficientes.
Eu estou no fundo do poço.
As pessoas não gostam de mim.
Eu não tenho nenhum talento.
Eu não mereço atenção.
Eu não mereço ser amada.
Eu sempre desaponto todo mundo.
E por aí vai...

Se pensarmos friamente, sem o efeito devastador da depressão, isso tudo não é verdade. Rememore sua vida por um segundo: Quantas coisas importantes você já conquistou? Quantos momentos de alegria, hein? Quantas pessoas bacanas você conheceu? Olhe para o lado, alguém aí deve estar esperando por você!

Um estudo da Faculdade de Medicina da USP revela que, em dez anos, o número de casos de depressão dobrou na Grande São Paulo. A doença afeta principalmente pessoas com idade entre 35 e 49 anos. Os mais jovens, entre 18 e 34 anos, ficam em segundo lugar. As mulheres são as mais atingidas. E só uma em cada quatro pessoas com depressão busca ajuda.

Viu? Não somos os únicos a nos trancar dentro de casa, anestesiados, sem vontade de botar "o bloco na rua". Há um exército cada vez maior de infelizes vagando pelo mundo. O problema é que demoramos demais para acender a luzinha vermelha e perceber que precisamos de ajuda médica.

Atenção: a depressão é uma doença e, como toda doença, deve ser tratada.

Eu resisti por muito tempo. Achava que a melancolia fazia parte da minha personalidade introspectiva. Achava até “poético” ser um tantinho triste. Hoje, sei que isso é papo furado, disfarce, vergonha de assumir o “coração partido”.

Resolvi combater o meu desânimo crônico com Êxodus, com o oxalato de escitalopram indicado pelo psiquiatra. E não me arrependo nem um pouco de ter embarcado para a “Terra dos Zumbis Felizes”.

Prefiro ser um “zumbi feliz” do que uma “barata tonta”, andando pelo apartamento sem saber que direção seguir. E se o remédio engorda, dane-se! Prefiro ser um gordo risonho do que uma “gazela” manca.

Mire-se no exemplo da Mulher Pêra: “Sou ciente de que sou bonita e não vou deixar ninguém falar o contrário, não!”

É isso aí: somos todos bonitos! De um jeito ou de outro. E se você não me acha bonito, vá ciscar em outro terreiro. A partir de agora, só me interessa quem me quer bem, aqueles que são atenciosos comigo. Aos indiferentes a mim, desejo boa sorte, tchau!  

3 comentários:

  1. Terça-feira começou a semana em que eu invento desculpas pra não sair de casa. Vamos ver até quando vai.

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  2. É muito bom saber que você tem esse otimismo guardado. Melhor ainda, poder admitir que há uma doença e que, sim, ela precisa ser tratada.

    Como em outros posts, desejo que você melhore, fique feliz e se sinta bem na sua pele :)

    Seus posts sempre me animam!
    Beijão! Até mais! =****

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  3. cada vez gosto mais de suas postagem!! vc deve ser um otimo jornalista! abraçp

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