segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sou feia, mas tô na moda

Betty Ditto e Jean Paul Gaultier

O que a gorducha Betty Ditto, vocalista do Gossip, fazia no desfile do Jean Paul Gaultier na Semana de Moda de Paris?

Betty Ditto é “plus size”. Um elefanta desengonçada perto do manequim esquelético das modelos que costumam frequentar as passarelas da moda. Então por que o estilista a escolheu como “musa” da vez e abriu seu desfile com a gordurosa Betty?

Simples: a cantora é “admirada” pelos fashionistas.

Ops! Admirada pelos fashionistas?! Como assim?

É verdade. Betty circula pelo mundo encantado das grifes com a delicadeza de um rinoceronte e as “gazelas” desnutridas a reverenciam. Gaultier sabe disso. E, espertalhão, nada fez além de se aproveitar do burburinho causado pela cantora.

É “chic” achar Betty “chic”. E suas formas rotundas... Ah, que mal há em ter muitos quilos a mais, não é mesmo?

Fashionistas são pessoas subservientes, incapazes de elaborar ideias próprias. Basta um “cool hunter” espalhar por aí que a cor da moda é o nude e pronto. Os fashionistas logo aderem ao modismo – mesmo que a tal “cor da estação” não lhe caia bem.

Andar na moda é isso. É obedecer a regras impostas pelo mercado. É abdicar de ser “você mesmo” para ser o que os outros querem que você seja.

O mesmo aconteceu com Betty. Alguém disse que a cantora é “cool” por assumir seu tamanho “extra large” sem culpa e os fashionistas, de uma hora pra outra, passaram a “amar” Betty.

Mas não é estranho que uma obesa desbocada e líder de uma banda sem nenhuma importância vire “popstar” entre almofadinhas que valorizam a magreza acima de tudo? Sim, é estranho. Assim como foi estranho a algazarra de butique em torno da funkeira Tati Quebra Barraco aqui no Brasil.

Fashionistas, no entanto, não estão acostumados a questionar nada. Seguem o fluxo, deixam se levar pelos rumores.

No fundo, acho que odeiam Betty. Ou a desprezam. Odeiam porque a cantora os afronta com sua atitude NÃO ESTOU NEM AÍ PARA O QUE VOCÊS PENSAM DE MIM. No mundo da moda, onde a aparência é tudo, esse tipo de atitude incomoda os deslumbrados por marcas & estilo.

Aqueles que a desprezam acho que apenas fingem admirá-la. São “drunkanoréxicas” que não toleram silhuetas rechonchudas, peles encarquilhadas, figurinos C&A. Aplaudem Betty por osmose, porque “pega mal” não aplaudi-la.

Se Gaultier diz que Betty é legal, quem sou eu para discordar?

Fashionistas são assim: gostam apenas do que os outros gostam, comem apenas o que os outros comem, vestem apenas o que os outros vestem e, quando aparece alguém como Betty para mostrar que o mundo não é tão cheiroso e perfeito como uma loja da Dior, os fashionistas, assustados, a cercam de elogios e mimos para, logo em seguida, enviá-la de volta ao "inferno", que é o lugar das pessoas gordas e sem logomarca.   

Ai, Betty, sai logo daí antes que você seja devorada inteira!
      

2 comentários:

  1. Estou cansado do hype da obesidade. Desde que Katie Grand decidiu colocar a Betty Dito, na primeira capa da apenas-mais-uma-revista-LOVE, essa onda plus começou. Depois a muy revolucionária V dedicou uma edição inteira aos pesos pesados. O que acontece? Fashionistas, não gosto dessa palavra, começaram a achar fino e elegante uns pneuzinhos a mais. 'COMO ELA É FOFA, GENTEMMM'. Esses mesmo não estão nem aí para pessoas reais, a indústria também está pouco se lixando para as gordas de verdade, aquelas que ganham um salário mínimo e não encontram roupas adequadas nas lojas de departamento. Cansado desses movimentos com falso caráter revolucionário. Não teve impacto na cabeçinha oca da grande maioria. Foi apenas uma estação, uma bolsa, GRANDE, que não combina mais com o look de ninguém. NEXT!

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  2. Olha, eu sou foda e perdi 10 kilos andando de bicicleta! hahaha

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