quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Cada país tem a fama que merece

Que país é este?

O Brasil evoluiu nesses últimos anos. De país subdesenvolvido e desnutrido e analfabeto passou a país emergente e possível “potência econômica” do futuro. Para virar de uma vez por todas um dos protagonistas da geopolítica mundial, penso que falta ao Brasil apenas “macdonaldizar” a rapadura e as baianas do acarajé.

A pergunta que me faço é: será que a imagem do Brasil também melhorou? Ou continuamos sendo vistos como o país das sacolejantes “mulatas izoneiras”?

Quando penso na Holanda, por exemplo, logo me vem à cabeça tulipas, moinhos de vento, putas expostas em vitrines e cigarros de maconha. É uma imagem ao mesmo tempo poética e libertária.

O Japão me lembra templos xintoístas, luzes de neon, flor de cerejeira, alta tecnologia, garotas vestidas de Gothic Lolitas, ladrões de calcinhas, mangás e animes. É um país bipolar: ora tradicional, ora modernoso; ora comportado, ora libertino.

A Inglaterra, para mim, é fundamentalmente musical. De lá vieram The Smiths, The Cure, Joy Division e outras bandas de rock que embalaram por muito tempo as “minhas jovens tardes de domingo”.

Penso nos Estados Unidos e minha mente é invadida por astros hollywoodianos, fast-food, louras peitudas, Mickey Mouse, a Big Apple, “Yes, We Can”, soldados percorrendo as ruas poeirentas do Iraque e do Afeganistão e a cara apatetada do Bush (sim, o Bush continua a me assombrar).

E o Brasil? O que lembra o Brasil?

“Espero que Oprah não esteja chateada por perder as Olimpíadas. Chicago enviou Oprah e Michelle. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi justo”, declarou o ator Robin Williams em um programa de TV norte-americano.

“Lá [no Brasil], você pode atirar nas pessoas, explodir coisas e eles dizem: ‘Obrigado! Aqui está um macaco para você levar para casa’”, falou outro ator, o brutamonte descerebrado Sylvester Stallone.

Depois de enviar Homer Simpson e família para o Rio de Janeiro, onde um dos personagens é sequestrado e há cobras e macacos nas ruas, o produtor do seriado pediu desculpas e, em tom jocoso, acrescentou: “Se isso [o pedido de desculpas] não resolver a questão, Homer se oferece para lutar com o presidente do Brasil no Celebrity Boxing (programa de TV norte-americano em que celebridades lutam boxe)”.

Como se vê, a imagem do Brasil lá fora continua a render piadas bem “selvagens”. Eu, brasileiro por nocaute, nem ligo. Afinal, cada país tem a fama que merece.

E, respondendo à pergunta feita lá em cima, para mim, o Brasil, entre outras esculhambações, lembra garotas suburbanas gordas de umbigo de fora. Sei que não é uma imagem muito elegante, mas é o que temos pra hoje. Se preferir, você pode optar pelo suor escorrendo pelo rego das cantoras-baianas-de-axé. É outra imagem brasileira para nos encher de orgulho nacionalista.

Um comentário:

  1. Eu acho engraçado quando se fala em cultura brasileira e alguém cogita, por exemplo, bossa nova. Taí o Alexandre Nero, que disse no twitter que, pra ele, João Bosco e Vinicius nunca serão uma dupla. E encheram o coitado de porquês.
    Cultura brasileira é samba, pagode, música sertaneja, mulher rebolando...

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