sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Brega sim! Cafona não!

Reginaldo Rossi

Reginaldo Rossi soltou a voz e o cabelo ruivo-caju no “Programa do Jô”. Nem deixou o apresentador tagarelar. Abriu o “show” com uma versão estapafúrdia de “I Will Survive”, “hino gay” da Gloria Gaynor. Seguiu cantando em francês, inglês e italiano. Mas foi em bom português que Rossi fez seu divertido manifesto em favor da música brega.

Em entrevista para o portal IG, o cantor provocou: “Se ‘Amor I Love You’ fosse lançada por Fernando Mendes era brega. Como foi lançada por Marisa Monte não é brega”.

Boa, Rossi!

Abaixo ao “bom-gosto” classe média!

Vamos defender o pinguim de geladeira, o espelho de borda laranja e o Waldick Soriano! As casamenteiras do interior, o Tiririca e a “dor de cotovelo”!

Brasileiro que é brasileiro é um banana sentimental que curte fossa em boteco de quinta, bebendo cerveja vagabunda e ouvindo “Ronda”, “Eu Não Sou Cachorro, Não” ou “Garçom”, o clássico do Reginaldo Rossi para corações partidos.

E, embora o dicionário aponte brega como sinônimo de cafona, acho que são coisas bem diferentes. Para mim, brega tem uma honestidade/originalidade que o cafona não tem.

Cafona é a “Barbie girl” universitária assistindo show do Zezé Di Camargo & Luciano na arena de Barretos. Brega é a empregada doméstica com seu radinho de pilha, botando água no feijão, enquanto ouve Amado Batista.

Cafona é o sujeito-mesa-de-escritório de calça bege e celular pendurado na cintura na fila do cinema do shopping center. Brega é o machão perfumado, com o cabelo melecado de vaselina e repartido de lado, no puteiro de beira de estrada.

Cafona é o Faustão com a cintura da calça acima do umbigo. Brega é Inezita Barroso apresentando seu sertanejo de raiz no programa “Viola, Minha Viola” desde os anos 70.

Entendeu?

No brega, não há disfarce. Há uma verdade desavergonhada de ser o que se é. O papo é reto, sem arranjos “sofisticados” para parecer “chique”. Já o cafona palita os dentes com a mão sobre a boca. Tenta esconder suas origens.

Brega tem estilo. Cafona coleciona faqueiro da "Caras".

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Leia entrevista com Paulo Cesar de Araújo, autor do livro “Eu Não Sou Cachorro, Não” (editora Record, 2002) 

4 comentários:

  1. Muito bom seu ponto de vista sobre o assunto ;)
    Ainda não tinha pensado nisso.
    Beijos, Marcos, até mais! =****

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  2. Marisa Monte é cafoooooooooooooooonaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Prefiro Adriana cantando "Te amar é tão bom, tão bom, tããããão booooom", bem mais autêntico, ou seja, brega! Rsrsrsrs

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  3. Todos somos bregas de alguma forma quando somos originais, diferentes do senso comum. E é tão bom ser autêntico; seja cantando uma música esdrúxula no box do banheiro, usando aquela blusa estimada da década passada, ou falando espontaneamente num lugar cheio de pessoas blasé.

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  4. Pura verdade. Li o artigo de Rossi para o IG e achei de uma perfeição incrível... pura verdade! Quanto ao brega, concordo que é um jeito simples, original e realista de viver, ninguém nega que ja sofreu ou está sofrendo por amor, que levou gaia, que gosta de uma roedeira. É o sem medo de feliz, amando e sofrendo, ao contrário de outro estilos musicais que muitas vezes pregam uma falsa felicidade, que dá o brilho ao brega.
    Adoooro!

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