sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Cada um por si e foda-se o próximo!

Vida de gado

“Cabeça Dinossauro” (1986), do Titãs, é um dos melhores discos do rock nacional. Lembrei dele... Ou melhor, lembrei de uma canção que faz parte do disco – “Homem Primata” – depois de saber que uma amiga foi sumariamente dispensada de um trabalho que ela realiza com dedicação exemplar há 11 anos.

Assim, sem mais nem porque, sem explicação convincente, em míseros 20 minutos de conversa, como sempre acontece nessa relação covarde entre patrão/empregado.

Diz trecho da letra de “Homem Primata”:

“Eu aprendi/ a vida é um jogo/ cada um por si/ e Deus contra todos/ você vai morrer/ e não vai pro céu/ é bom aprender/ a vida é cruel/ homem primata/ capitalismo selvagem”.

Vivemos num sistema onde alguns mandam e milhares obedecem. Para sobreviver, somos obrigados a “engolir sapos”, cumprir ordens, fazer de conta que o mundo do paletó & gravata é um lugar justo, capaz de reconhecer o nosso esforço, talento, profissionalismo.

Não é bem assim.

Na maioria das vezes, somos tratados como gado. Úteis e bem “alimentados” apenas até o momento do “abate”, quando nos “exterminam” sem piedade.

Depois de anos de “sorriso bovino” e subserviência, acreditando que a empresa onde trabalhamos é uma “grande e feliz família”, descobrimos – pasmos! – que somos descartáveis como pilhas ray-o-vac. Foi o que aconteceu com a minha amiga. É o que acontece com milhares de pessoas que “vestem a camisa” da empresa e, de uma hora pra outra, são “eliminadas”.

Sim, ninguém é insubstituível. Sempre existe um profissional mais capacitado para ocupar o seu lugar. Mas a crueldade/frieza das relações trabalhistas é desumana. Reforça a ideia do “cada um por si” e foda-se o próximo!

Os cínicos vão dizer que é assim mesmo. Vivemos dentro de uma “máquina de moer gente”. E salve-se quem puder!

Também já fui demitido sem justa causa e sei como é sentir na pele essa súbita rejeição. Não à toa, há quem não suporte o baque e, munido de espingarda de grosso calibre, opte por “fazer justiça com as próprias mãos”. Nunca cheguei nesse ponto, mas vontade de fuzilar alguns chefes filhos da puta e dinamitar empresas mau caráter sempre tive.

Dizem que “há males que vêm para o bem”. Espero que minha amiga supere a crise, volte ainda mais forte e, como eu, jamais confie novamente nos donos do dinheiro e do poder.

É essa gente canalha que fode o mundo! 

Um comentário:

  1. Marcos, cheguei aqui graças aos links do Pedro Alexandre Sanches no twitter. Acho ótimo o seu estilo. Parece que hoje em dia indignação é pecado, falta de educação ou coisa parecida. Por isso mesmo, sinto na sua vitalidade, na sua verve biliar, um estímulo para prosseguir. É bom não se sentir só. Ainda mais sabendo que existem espaços como esse. Um abraço!

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