sábado, 20 de novembro de 2010

Casamento gay sem a bênção de Deus

Por que não?

Mudei de ideia. E sempre que isso acontece me sinto feliz como pinto no lixo. É a comprovação de que não sou da turma dos convictos: gente cheia de certezas que faz o diabo para moldar o mundo de acordo com suas “opiniões formadas sobre tudo”.

Mudei de ideia sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Ainda me incomoda o casamento gay com bolo de noiva. Acho que não precisamos macaquear modos & manias cafonas dos heterossexuais. Mas descobri a necessidade objetiva de uma lei que permita aos casais gays legalizarem sua relação.

Eu e JK pretendemos ir para o Japão em dezembro. Para entrar naquele país, precisamos de visto. JK trabalha como autônomo e não tem como comprovar renda. Eu me responsabilizaria pela viagem. A atendente do consulado japonês, sem qualquer indício de preconceito, explicou:

     - Em casos assim, só são permitidos dependentes com alguma relação familiar direta: pai, mãe, filhos e cônjuge.

Ora bolas, JK é meu cônjuge! Vivemos juntos há dez anos. O problema é que não temos nenhum documento oficial que comprove isso. Se o Brasil fosse a desenvolvida Argentina, onde a união civil foi aprovada, não teríamos problema algum em tirar o visto. Se...

Depois das explicações da atendente do consulado, eu e JK devemos provar por A + B que vivemos sob o mesmo teto e mantemos uma relação estável. Caso contrário, teremos que mudar de planos, viajar para um país que não exija visto de entrada.

As pessoas de mente suja (religiosa?), que condenam o casamento gay por acharem “obsceno” o que os homossexuais fazem na cama, deviam pensar somente no aspecto prático/burocrático da união civil. Não pedimos a bênção de Deus – Deus que cuide do seu rebanho do jeito que achar melhor. Queremos apenas os mesmos direitos legais do casamento heterossexual. Nada além disso.

Se você acha que existe um único modo de amar (homem + mulher), ok. É opinião sua. Mas que tal manter as ideologias bem longe da cama? O que eu e JK fazemos entre quatro paredes não tem nada a ver com a nossa vontade de viajar juntos para o Japão. Neste caso, seremos apenas turistas, independente da nossa orientação sexual.

É isso que os intolerantes que "só pensam naquilo" parecem incapazes de entender. 

4 comentários:

  1. Conheci seu blog através de @misspratinha e a cada vinda me surpreendo com um bom texto. Mudar de opinião é que é um benção!

    ResponderExcluir
  2. Cara é isso! Não são mais direitos ou direitos especiais, mas apenas o mesmos direitos civis que os heteros tem e que são negados aos gays.
    Eu já vinha refletindo sobre isso a certo tempo também e confesso que também fui contra a essa ideia, até entender que não se tratava de uma necessidade de aceitação por parte de alguma religião, mas sim de uma questão de acesso a cidadania.

    ResponderExcluir
  3. Ah, como diz minha melhor amiga @melissabarbery "apenas os loucos não mudam de ideia e ficam batendo a cabeça na parede até rachar".
    Mudar de ideia é vida!
    ;-)

    ResponderExcluir