terça-feira, 2 de novembro de 2010

A educação através das redes sociais

As redes sociais

Segunda-feira, 1o de novembro: rolou polêmica brava na internet, com ataques estúpidos/rancorosos de playboys e patricinhas do “eixo do mal” (Rio-São Paulo) contra nordestinos, acusados de eleger Dilma presidenta e de serem os principais beneficiários do Bolsa-Família, que essa moçada que ainda faz xixi na cama chama de “Bolsa-Esmola” ou “Bolsa-Vagabundagem”.

A reação ao ataque foi imediata e a tag #orgulhodesernordestino subiu ao Trending Topic do Twitter em velocidade de foguete.

É muito bom ver isso acontecer no Brasil. Mostra que estamos no caminho certo. Agora é bateu-levou. E ninguém mais parece estar a fim de se omitir. Isso, creio eu, favorece o debate e contribui para maior conscientização de temas espinhosos como o preconceito. Neste caso, a xenofobia.

Com tantas vozes ativas, sem a intermediação tendenciosa da grande mídia, a discussão torna-se direta, de “mano pra mano”, “na lata”. É a sociedade se mobilizando, arregaçando as mangas para combater “o mal”. Mesmo que virtualmente.

Li as mensagens anti-nordestinos e percebi que os autores das infâmias, em sua maioria, são jovens – alguns ainda adolescentes. Seriam esses jovens do mesmo bando que queima índio em ponto de ônibus e se diverte com o tal “rodeio das gordas”? E os pais desses jovens, pensam igual? "Tal pai, tal filho": será?

Assim que notaram a reação de milhares de internautas indignados com suas mensagens, os moleques botaram o rabinho entre as pernas e pularam foram, assustados com a repercussão do caso, com medo de serem linchados em praça pública. E é aqui que a internet mostra o quanto pode ser educativa/corretiva.

No mundo pré-internet, claro que já existia xenofobia, homofobia, racismo, misoginia e eteceteras de igual calibre discriminatório. Mas comentários preconceituosos normalmente permaneciam na esfera privada, numa conversa à toa na mesa do bar ou no campus da universidade. Hoje, o principal meio de comunicação da garotada são as redes sociais. E esses webmonstrinhos ainda não se tocaram de que rede social é espaço público. Qualquer bobagem publicada ali pode resultar em violentas porradas virtuais. Foi o que aconteceu com os moleques que atacaram os nordestinos:

Talvez sem se dar conta, mostraram a cara. E apanharam!

Acho, com isso, que as redes sociais hoje podem ser mais educativas para os jovens do que as escolas. Na internet, o pito é imediato, o puxão de orelha é público. E, sem os pais por perto para protegê-los, a molecada “aprende” na marra que não pode sair por aí ofendendo os outros.

Aposto que, depois de serem achincalhados por milhares de tuiteiros atentos às manifestações de preconceito, os garotos, com as pernas trêmulas e as calças borradas, vão pensar duas vezes antes de aprontarem outra “travessura”.

Note: só isso vale por 200 aulas de física ou matemática. Afinal, de que adianta esses meninos aprenderem o Teorema de Pitágoras se não sabem respeitar o próximo?

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