terça-feira, 9 de novembro de 2010

"Gay friendly" é quem me respeita

Gueto?

Sempre desconfiei do rótulo “gay friendly”. Agora, uma pesquisa realizada em vários países pela Out Now Consulting, apontou o óbvio: nem todos estão satisfeitos com estabelecimentos que se dizem “simpatizantes” com a comunidade LGBT.

Claro. Não basta colocar a bandeira do arco-íris na porta. É preciso treinar o staff, saber quais as necessidades desse público. Mas será que ter lugares específicos para gays e lésbicas é uma conquista, um avanço?

Nunca embarquei em cruzeiro marítimo exclusivo para homossexuais. Na verdade, nunca embarquei em cruzeiro marítimo nenhum. Acho cafona. Também nunca me hospedei em hotel “gay friendly”. No máximo, frequento bares onde me sinto mais à vontade para, se for o caso, expor a minha sexualidade sem me preocupar com olhares de reprovação.

Mesmo assim, me sinto discriminado por estar ali. E acho que me sentiria ainda pior se fosse a um lugar onde o gerente – com um $orri$o condescendente no canto da boca – me receberia mais ou menos assim: “Oi, aqui o senhor é muito bem-vindo! Não temos nada contra gays e lésbicas. Fique à vontade!”

Opa! Sou pessoa normal! Não tenho nenhuma doença contagiosa! Não preciso de “proteção”! E que papo é esse de “nada contra”?

Por não sentir necessidade nenhuma de “abrir o jogo” sobre a minha sexualidade para quem quer que seja, costumo evitar o “gueto” (uma forma de preconceito) sempre que posso. Se fosse viajar por uma agência, por exemplo, jamais procuraria um estabelecimento “especializado” no público LGBT. Acho o cúmulo da segregação!

Pra ser sincero, não acredito no “mundo ideal”, onde todos os lugares sejam para todas as pessoas, sem distinção de classe, raça ou orientação sexual.

Por isso, circulo por aí entre heterossexuais e homossexuais, negros e brancos, pobres e ricos, mocinhos e bandidos. Prefiro me socializar com todo tipo de gente do que me enfiar numa “bolha” à prova de agressões. É vivendo no campo minado do "inimigo" que a gente aprende a olhar onde pisa. 

“Gay friendly”, para mim, é quem me respeita. Não aqueles que, de olho no meu dinheiro, me atraem com promessas de tolerância apenas para me manter excluído. 

2 comentários:

  1. Há 15 anos tive o 1o. bar gay friendly em Belém. Antes do Go Fish (o tal boteco) todos os lugares, ou eram guetos, ou olhavam com desconfiança para o público gay. eu e meus sócios não tínhamos nenhum problema com isso. nossa programação incluía show de babeth taylor (uma drag que fazia dublagem e esquetes ), jazz, rock e até exposição de arte e desfiles de moda. no Go Fish frequentavam gays, heteros, jovens e pessoas mais maduras. quem não curtia o bar -nem o público-não pisava lá. eu achava ótimo, me poupavam dor de cabeça.
    o "pink money" e o 'hetero money" circulavam sem conflitos. o atendimento respeitoso era igual. pra nós, os sócios, o público fazia toda a diferença e foi essa mistura que marcou a história de muitas pessoas que conheceram o go fish.
    só acredito em lugares gay friendly que não fazem distinção de público, que gostem de $, mas acima de tudo de pessoas.

    adelaide oliveira

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  2. Bom dia Marcos!

    Me chamo Keila Rodrigues, sou jornalista e coordeno um site de notícias LGBT em Belém - PA com minha companheira e sócia no projeto Ádria Azevedo.

    Estive olhando seu blog e gostei bastante de seus posts. Caso haja interesse em colaborar conosco, podemos ceder uma coluna pra você em nosso site.

    Acesse o nosso site e veja se a proposta lhe enteresa: www.paradiversidade.com.br

    Adianto que ficaríamos muito feliz em contar com a sua colaboração.

    Abs,

    Keila.
    contato@paradiversidade.com.br

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