terça-feira, 30 de novembro de 2010

Celebração macabra

Ilhas Feroé

Recebi um e-mail que me revirou o estômago. Fui pesquisar e vi que não é de agora que as pessoas vêm denunciando o massacre de golfinhos e baleias que acontece todos os anos num local próximo da Dinamarca: as ilhas Feroé. 

Segundo explicou o Eduardo Logullo em comentário que fez eu corrigir este post, as ilhas Feroé "ficam entre a Escócia e a Islândia, no Mar do Norte. São administradas pela Dinamarca, mas com status político independente. Tem bandeira e hino próprios. Falam outra língua e têm outra cultura. Os dinamarqueses detestam os habitantes de lá".

Ou seja: não há nada de podre no reino da Dinamarca, como eu escrevi antes.

A barbárie – pasmem! – marca a entrada na vida adulta de jovens que precisam matar golfinhos e baleias para mostrar que viraram homens. É uma festa, uma celebração macabra. Dá pra entender?!

Dizem que a matança é uma tradição ancestral dos habitantes dessa ilha. E há quem defenda que “tradição é tradição” e deve ser respeitada, preservada, intocada. Eu penso exatamente o contrário: toda tradição deve ser sumariamente bombardeada.

Farra do Boi, touradas, briga de galo, caça de baleias, rodeios são considerados “tradição”. Alguém aí é capaz de apresentar um único ponto de vista racional para que esse tipo de crueldade contra os animais continue a existir?

Recorrer à “tradição” para justificar a carnificina é argumento covarde. Agir por osmose não isenta o assassino de culpa. E não há como seguir em frente, de consciência limpa, carregando nos ombros séculos de ideias ultrapassadas.

Respeitar essa tal tradição é compactuar com o assassinato de milhares de animais, foder com os recursos naturais do planeta, discriminar negros, homossexuais e mulheres, se submeter ao atraso ideológico de organizações reacionárias que fazem o diabo para controlar o avanço do mundo.

“Os animais existem para seus próprios propósitos. Não foram feitos para os seres humanos, do mesmo modo que os negros não foram feitos para os brancos, nem as mulheres para os homens” (Alice Walker).

É preciso acabar com esse antropocentrismo prepotente, que encara a natureza e os animais como meros insumos para uso e abuso da estupidez humana. 

Um comentário:

  1. Seu texto é incrível! Admiro a maturidade e o nível de informação que usa pra escrevê-lo.

    Há algum tempo, recebi esse e-mail e também fiquei chocada. E quem foi o infeliz que começou com essa "tradição" horrorosa? Realmente, não é uma pessoa normal...assim como essas outras que participam.

    Gostei muito da frase da Alice Walker. Vai pra minha coleção :)

    Parabéns pela sua visão, mais uma vez!

    Um beijo.

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