terça-feira, 16 de novembro de 2010

A inocência cruel das criancinhas

"Chucky, o Boneco Assassino"

E se os meninos (homofóbicos?) que espancaram outros meninos (homossexuais?) na avenida Paulista, em São Paulo, fossem seus filhos, o que você faria?

Não vale dizer que seu filho “querido” foi muito bem educado e jamais agiria assim. Como saber? Até onde é possível limitar o que seus filhos fazem na rua?

Os pais dos playboizinhos espancadores defenderam seus rebentos. E, você, defenderia?

Na “Folha”, um dos pais declarou que seu filho não sairia mais de casa até completar 18 anos. O menino está com 16. Mas, em seguida, minimizou o ocorrido: “Essa foi a primeira vez”; “Uma coisa é você fazer algo errado, outra é ser crucificado”; “Foi uma briga. A proporção que está se dando para isso aqui não é justo”; “Meu filho nunca repetiu de ano. Ele é um menino tranquilo. Todos eles são.”

“Meninos tranquilos” não socam outros meninos à toa, de uma hora pra outra. “Meninos tranquilos” não postam no Orkut mensagens de incitação à violência, como publicou a “Folha”. “Meninos tranquilos” namoram, estudam e se divertem sem ter que dar pontapé em ninguém.

Forma de diversão doentia? Disseminação da violência gerada por uma crise de valores generalizada? Exibicionismo? A barbárie, seja de meninos contra meninos ou de povos contra povos, confunde a cabeça de quem acredita (a maioria?) que o ser humano é naturalmente bom.

Acho exatamente o contrário. Quando nascemos, somos animais selvagens capazes de chutar a canela daquela tia chata que aperta nossas bochechas sem o menor constrangimento. Ao longo da vida, vamos sendo “moldados” para respeitar normas de conduta e reprimir nossos instintos primitivos. Assim os seres humanos são formados, na base da “censura”: não pode isso, não pode aquilo.

Sem as regras sociais e suas devidas punições a quem desrespeitá-las, alguém duvida que estaríamos comendo um ao outro aí fora?

O problema é que os pais sempre acham seus filhos lindos, fofos, bonzinhos, educados e incapazes de cometer qualquer maldade. O filho do vizinho é que é o mal-criado da turma. Dessa forma, enganados por essa imagem idealizada da prole, deixam os “monstrinhos” soltos no mundo, sem ensiná-los a conter seus naturais “impulsos assassinos”.

Já “reparou na inocência cruel das criancinhas, com seus comentários desconcertantes?”, perguntava Cazuza em “Só as Mães São Felizes”. Pois é. Se vocês, pais e mães, não vigiarem permanentemente as maldades das criancinhas, é bem possível que elas cresçam a fim de agredir quem passa na rua com bastões de lâmpada fluorescente.

E, aí, o que fazer? Justificar a ação dos filhos, protegendo-os "até a morte", ou deixar que eles paguem pelo crime que cometeram? 

2 comentários:

  1. Post excelente! Depois dele, terei que discordar de Rousseau e concordar com você.

    Crianças podem ser mais cruéis do que qualquer um, talvez por não terem a devida conduta social, e pelos motivos que disse acima.

    Já existe esse ódio incompreensível com quem eles consideram diferente, e qualquer coisa é motivo pra violência.

    Sem comentários, mesmo. Mas espero que o menino ferido esteja bem.

    Beijos, Marcos, até mais! =****

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  2. Muito bem observado, Guinoza.
    Nunca acreditei muito nessa história de 'inocência roubada'. Minha crença romântica na candura infantil já se foi há tempos. São casos diferentes, mas quem não se lembra do massacre em columbine? Um dos anjinhos tinha apenas 17 anos, apenas mais um rostinho bonito, delicado e ordinário. Crianças são cruéis, muito cruéis. Ao contrário do imaginário popular, não consigo ver muita bondade em seus impuros olhinhos. Perto da minha casa existe uma pequena praça, onde diariamente é invadida por centenas desses diabinhos. Estava atravessando a mesma, em um dia qualquer, e fui abordado por um grupinho de pentelhos. Nenhum passava dos 10 anos. Todos começaram um nada sonífero coro 'bichinha, boiola, baitola...'. Me senti altamente ofendido e exposto. Não estava invadindo o território, nem nada do tipo, apenas estava cruzando a bendita praça. Não conseguia entender de onde surgia toda essa hostilidade. Não estava cagado. Pior ainda foi quando, na mesma praça, um pai me apontou sem a menor vergonha na cara e disse para o seu filhinho querido, devia ter uns 5 anos, 'olha aquela bichinha'. Não consigo reagir em situações como essa. Tenho vontade de enterrar a cabeça de todos eles na areia, mas apenas estaria me rebaixando ao mesmo nível, ou não? As palavras fogem de minha boca, sou invadido pelo medo, nada faço. O que fazer?

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